O Grande Golpe

O Grande Golpe
Stanley Kubrick ganhou muita notoriedade com o lançamento de “O Grande Golpe”. Neste que é um dos seus primeiros filmes, a edição de Betty Steinberg converteu em novidade o roteiro escrito por Kubrick e Jim Thompson (por sua vez baseado no livro “O Roubo no Hipódromo”, de Lionel White), já que a trama de roubo perfeitamente planejado foi prestigiada pela não linearidade com a qual foi montada, um fator que faz da obra ser uma das mais celebradas entre os fãs do cineasta.

“O Grande Golpe” inicia com Johnny Clay (Sterling Hayden) esquematizando com os seus comparsas um roubo a um hipódromo cuja quantia adquirida pode ser de aproximadamente dois milhões de dólares. Ex-presidiário, Johnny garante que o mirabolante plano garantirá a segurança de todos os envolvidos. Apesar desta confirmação, as coisas não devem sair como o imaginado por conta da gananciosa Sherry (Marie Windsor), esposa de George (Elisha Cook Jr.), que por sua vez é responsável por um dos caixas que recolhe a quantia de todas as apostas.

O espectador terá uma noção antecipada do que provavelmente acontecerá na execução desse roubo, mas o importante é a surpresa que surge através dos diversos ângulos como ele é mostrado, transformando “O Grande Golpe” em um thriller repleto de tensão e ironias. É também a amostra de um cineasta ainda jovem lidando com uma narrativa pouco complexa, mas já demonstrando extraordinário domínio de direção. É ao lado de “Rififi” o exemplar do gênero mais interessante em sua época de produção que, por coincidência, teve a sua estreia nos cinemas americanos na mesma data que a obra máxima de Jules Dassin.

Título Original: The Killing
Ano de Produção: 1956
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Sterling Hayden, Coleen Gray, Vince Edwards, Jay C. Flippen, Elisha Cook Jr., Marie Windsor, Ted de Corsia, Joe Sawyer, Timothy Carey, Joe Turkel, Jay Adler e Kola Kwariani.
Nota: 8.5

Sugestão de Pedro – Tudo é Crítica.

Eu Odeio o Dia dos Namorados

Eu Odeio o Dia dos Namorados
Antes uma mera desconhecida, a atriz Nia Vardalos ficou famosa mundialmente com a estreia da irresistível comédia romântica “Casamento Grego”. Com produção do casal Tom Hanks e Rita Wilson e investimento de somente cinco milhões de dólares o filme se tornou um fenômeno de bilheterias e até mesmo objeto de estudo por causa de sua instantânea popularidade. Grande parte deste sucesso se deve à Nia, que além do inspirado desempenho que oferece ainda foi responsável pelo roteiro original indicado ao Oscar. Só é lamentável que tudo com o que se envolveu posteriormente pareça ter grande ligação com este trabalho, não tendo frescor algum, caso de “Eu Odeio o Dia dos Namorados”, longa independente dirigido, protagonizado e roteirizado por ela.

Genevieve (Nia Vardalos) é a dona de uma floricultura que faz a festa no dia dos namorados. Afinal, é a data onde todos pensam em presentear a sua parceira com flores, cartões e caixas com bombons, obtendo grande lucro com as suas vendas. É próximo desta data comemorativa que ela conhece Greg (John Corbett, que fez com Nia o par romântico de “Casamento Grego”), sujeito boa praça que acaba de comprar o falido restaurante ao lado de sua floricultura. É para ele que Genevieve apresenta a sua tática dos cinco encontros, esquecendo os homens com os quais se envolve depois da relação sexual posterior a quatro encontros. Ela não acredita no amor, mas é claro que a presença de Greg fará ela rever os próprios conceitos.

A premissa é até capaz de sustentar um filme inteiro, mas os encontros entre os protagonistas se sucedem de forma tão insípida que é fácil cair no tédio. Se não bastasse essa falta de graça, Nia Vardalos exagera nas caretas e sorrisos forçados, revelando uma profissional despreparada para dirigir a si mesma. É verdade que é preparado nos últimos minutos de “Eu Odeio o Dia dos Namorados” uma situação original que nos revela o porquê de Genevieve sempre se desviar da paixão que provavelmente nutriu pelos seus ex-namorados. Só que todo o restante, além de não ser engraçado, não trás sensibilidade alguma. Quem sabe em “Falando Grego”, do bom Donald Petrie, Nia Vardalos não se sai melhor?

Título Original: I Hate Valentine’s Day
Ano de Produção: 2009
Direção: Nia Vardalos
Elenco: Nia Vardalos, John Corbett, Stephen Guarino, Amir Arison, Zoe Kazan, Gary Wilmes, Mike Starr, Jason Mantzoukas, Judah Friedlander e Rachel Dratch.
Nota: 2.5

W.

W.
Há tempos o diretor ganhador de três Oscars Oliver Stone não é capaz de moldar uma obra digna de importância. Com o documentário “South of the Border” causando reações negativas por retratar como herói o atual Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e as filmagens de “Wall Street 2: Money Never Sleeps” engrenando para lançamento em fevereiro do próximo ano, Stone tem como trabalho mais recente “W.”, cinebiografia dramática sobre George Walker Bush exibida em salas americanas quando o mesmo estava dando os seus útlimos passos como Presidente com o fim de seu segundo mandato.

O retrato trata de nos apresentar George W. Bush desde a sua juventude. É nela onde testemunhamos uma figura inconsequente que sempre viveu à sombra de seu pai político George (James Cromwell). Por conta disto, o que vem a seguir é a evolução de um indivíduo que rejeita tudo aquilo que considerava os grandes prazeres da vida (drogas, álcool, paqueras, distância do ensino superior) para ser tão bem-sucedido quanto o seu pai. As consequências são o casamento com Laura (Elizabeth Banks), a disputa pela candidatura na Câmara dos Representantes, o trabalho na indústria de petróleo durante a década de 1980, o envolvimento na campanha presidencial de George (do qual saiu vitorioso) e finalmente a sua candidatura como Presidente dos EUA no início desta década.

Oliver Stone circula a sua câmera por toda essa trajetória, focando mais um ser humano com todas as suas imperfeições e sempre influenciado pelos integrantes de seu gabinete do que os fatos originados de seu governo, como a campanha militar vinda após os ataques terroristas de 11 de Setembro. Se distanciando desta realidade (ou de várias outras) que poderia muito bem criar polêmica no cinema em troca de uma abordagem “justa e fiel”, Stone nem parece merecer mais aquele título concebido pela imprensa e público de diretor americano mais político já existente. O grande elenco, com destaque para Josh Brolin (muito melhor do que em seu superestimado desempenho em “Milk – A Voz da Igualdade“) e uma irreconhecível Thandie Newton (incorporando a Condoleezza Rice), ao menos trás alguns méritos à fita.

Título Original: W.
Ano de Produção: 2008
Direção: Oliver Stone
Elenco: Josh Brolin, Elizabeth Banks, James Cromwell, Ellen Burstyn, Toby Jones, Dennis Boutsikaris, Jeffrey Wright, Thandie Newton, Scott Glenn, Richard Dreyfuss, Colin Hanks, Bruce McGill, Jesse Bradford, Marley Shelton, Jason Ritter, Noah Wyle e Ioan Gruffudd.
Nota: 5.0