Belle Toujours – Sempre Bela

“A Bela da Tarde” é uma das obras mais marcantes da carreira do cineasta nascido na Espanha Luis Buñuel. Para quem não se lembra, a produção é famosa por trazer a personagem de Catherine Deneuve, Séverine, das duas às cinco da tarde, como uma prostituta de luxo. O drama suscitava uma visão sobre o sexo pouco explorada naquela época, com os seus personagens, geralmente clientes perturbadores, querendo pôr em prática os seus sonhos eróticos. “A Bela da Tarde” é um clássico que o tempo lhe investiu mais valor do que realmente merecia, mas o diretor português Manoel de Oliveira gosta tanto da produção que decidiu prestar um tributo com uma sequência.

A deusa Catherine Deneuve não ficou entusiasmada com a ideia, já que apenas Michel Piccoli reprisa o seu papel. É preciso assistir ao filme de 1967, pois é com uma dúvida deixada naquela história que esta sequência se move. Na última cena, Henri Husson (Michel Piccoli) estava prestes a revelar um segredo para Pierre Serizy (Jean Sorel), que aparentemente se tratava da vida dupla de Séverine. Décadas depois, Michel a reencontra em um concerto e pretende confirmar para ela se de fato expôs o seu segredo.

Estreando com quatro anos de atraso no Brasil, “Belle Toujours – Sempre Bela” é uma homenagem bem enxuta com sua duração de praticamente uma hora. Manoel de Oliveira é o mais velho diretor em atividade (102 anos) e a produção, mesmo que classuda, é simples. A maior força são os diálogos, seja de Henri papeando com um barman (papel de Ricardo Trêpa, neto de Manoel de Oliveira e seu constante colaborador) e com o esperado encontro do protagonista com Séverine (agora incorporada por Bulle Ogier em bom desempenho). Faltou apenas evitar os planos longos, uma constante nos trabalhos do cineasta.

Título Original: Belle toujours
Ano de Produção: 2006
Direção: Manoel de Oliveira
Roteiro: Manoel de Oliveira
Elenco: Michel Piccoli, Bulle Ogier, Ricardo Trêpa, Leonor Baldaque, Júlia Buisel e Lawrence Foster
Cotação: ***

 

3 Comments

  1. Sou fã de Luis Buñuel, e adoro Belle de Jour! Deneuve está divina – e acho que não a critico por dizer não ao diretor Manoel de Oliveira. Sequência? Me parece tão desnecessário. Porém, vejo que não é desprezível. Talvez valha a pena…

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