Vencedores do Independent Spirit Awards 2012 – Comentários

Acaba de ser anunciada a lista dos vencedores do 27º Independent Spirit Awards, premiação que aconteceu neste sábado em Santa Mônica, Califórnia. Como era esperado, “O Artista” foi o grande vencedor da edição, conquistando nada menos que quatro prêmios. Nas minhas apostas, houve apenas dois erros relacionados ao filme. O primeiro foi na categoria de Melhor Fotografia, pois imaginei que “Meia-noite em Paris” fosse o vencedor. Já na categoria de Melhor Roteiro, minha aposta foi para “O Artista“, mas foi “Os Descendentes” quem se deu melhor.

Vamos conhecer quais foram os outros vencedores e comentar brevemente sobre as escolhas nas categorias principais. [Score: 11/16]

MELHOR FILME

Vencedor: O Artista
Outros indicados: 50% | Drive | O Abrigo | Os Descendentes | Toda Forma de Amor
Comentário: a vitória de “O Artista” só deixa o filme ainda mais próximo para abocanhar o Oscar, cujo principal oponente será “A Invenção de Hugo Cabret“. Trata-se de uma vitória justa para um filme que é infinitamente superior a qualquer outro finalista aqui.

MELHOR DIRETOR

Vencedor: Michael Hazanavicius (O Artista)
Outros indicados: Alexander Payne (Os Descendentes) | Jeff Nichols (O Abrigo) | Mike Mills (Toda Forma de Amor) | Nicolas Winding Refn (Drive)
Comentário: Michael Hazanavicius conseguiu um feito impressionante ao conseguir com que todos os espectadores fossem capazes de mergulharem na atmosfera do cinema mudo através de “O Artista“. O diretor não apenas preparou toda a equipe para se adequar na proposta da história como conseguiu com ela fazer uma mistura perfeita de comédia, musical, drama e romance. Vitória mais do que justa.


MELHOR ATOR

Vencedor: Jean Dujardin | O Artista
Outros indicados: Demián Bichir (Uma Vida Melhor) | Michael Shannon (O Abrigo) | Ryan Gosling (Drive) | Woody Harrelson (Rampart)
Comentário: devido a viagem que Jean Dujardin fez para a França para participar do César, o ator não conseguiu chegar nos Estados Unidos a tempo para receber o seu prêmio de melhor ator (Penelope Ann Miller, que interpreta a amarga esposa de seu personagem em “O Artista“, o representou). O mais curioso de sua mais do que óbvia vitória no Independent Spirit Awards é que ele não disputou o troféu com George Clooney, que sequer foi indicado por “Os Descendentes“. Indício de que ele está mais imbatível do que nunca na briga pelo Oscar?

MELHOR ATRIZ

Vencedora: Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn
Outras indicadas: Adepero Oduye (Pariah) | Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene) | Lauren Ambrose (Think of Me) | Rachel Harris (Natural Selection)
Comentário: até o fechamento dessa postagem, não pude conferir “Sete Dias com Marilyn” (algo que farei antes de cobrir o Oscar no domingo). Ainda assim, dava para prever a sua vitória no Independent Spirit Awards, ainda mais diante da pouca popularidade dos trabalhos das outras atrizes (com exceção de Elizabeth Olsen, que conquistou a todos com o seu debut). A vitória serve para consagrar ainda mais a jovem atriz, sem dúvida uma das melhores em atividade.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Vencedor: Christopher Plummer | Toda Forma de Amor
Outros indicados: Albert Brooks (Drive) | Corey Stoll (Meia-noite em Paris) | John C. Reilly (Negócio Fechado) | John Hawkes (Martha Marcy May Marlene)
Comentário: outra vitória para lá de esperada no Independent Spirit Awards e que deixa Christopher Plummer a apenas alguns passos para ganhar o Oscar (no qual ele terá de enfrentar outros veteranos há muito injustiçados como Nick Nolte e Max von Sydow). Prêmio para uma performance muito boa e que também serve para representar a carreira de um ator extraordinário.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vencedora: Shailene Woodley | Os Descendentes
Outras indicadas: Anjelica Huston (50%) | Harmony Santana (Gun Hill Road) |  Janet McTeer (Albert Nobbs) |  Jessica Chastain (O Abrigo)
Comentário: conforme comentei na postagem dos indicados ao Independent Spirit Awards, Shailene Woodley realmente tinha chances muito grandes de sair com o troféu de melhor atriz coadjuvente por “Os Descendentes“. A maior concorrente era Jessica Chastain, na qual até apostei minha ficha. É um primeiro grande passo para a carreira cinematográfica de Shailene, antes reconhecida apenas como a protagonista do seriado “A Vida Secreta de uma Adolescente Americana”.

MELHOR PRIMEIRO FILME

Vencedor: Margin Call – O Dia Antes do Fim
Outros indicados: A Outra Terra | In the Family | Martha Marcy May Marlene | Natural Selection
Comentário: como escolhido a vencer o Prêmio Robert Altman (dado ao diretor, diretor de elenco e elenco de um filme), “Margin Call – O Dia Antes do Fim” tinha grandes possibilidades de também levar o troféu nesta categoria. Foi exatamente o que aconteceu, já que seu oponente mais forte era “Martha Marcy May Marlene” (que acabou saindo sem nenhum prêmio). A vitória somada a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original levantará ainda mais a moral de J.C. Chandor no cinema americano, que já está desenvolvendo seu segundo filme com ninguém menos que Robert Redford.

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Vencedor: Pariah
Outros indicados: Bellflower | Circumstance | Hello Lonesome | The Dynamiter
Comentário: como também era esperado, o pequeno “Pariah” foi quem venceu o Prêmio John Cassavetes, categoria que contempla filmes filmados com até 500 mil dólares. Sucesso de crítica (o filme tem nada menos que 96% de críticas positivas no site RottenTomatoes), a história foca uma adolescente lésbica do Brooklyn em busca de sua própria identidade ao mesmo tempo em que precisa lidar com as duras pressões diárias. É aguardar que alguma distribuidora nacional se prontifique em exibi-lo algum dia no circuito alternativo.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Vencedor: A Separação
Outros indicados: Melancolia | Shame | O Garoto da Bicicleta | Tiranossauro
Comentário: é. Meu querido “Melancolia” teve que se contentar apenas com a indicação. “A Separação” é mesmo o filme do momento e não há candidato forte o suficiente que lhe tire o Oscar no domingo. Mesmo não sendo minha obra estrangeira favorita, o reconhecimento ao trabalho de Asghar Farhadi é mais do que merecido. Que o realizador consiga continuar fazendo dramas poderosos sem sofrer censuras de seu país.

OUTRAS CATEGORIAS

MELHOR ROTEIRO

Footnote | Ganhar ou Ganhar | O Artista | Os Descendentes | Toda Forma de Amor


MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

50% | A Outra Terra | Margin Call – O Dia Antes do Fim | Negócio Fechado | Terri


MELHOR FOTOGRAFIA

Bellflower | Meia-noite em Paris | O Artista | The Dynamiter | The Off Hours


MELHOR DOCUMENTÁRIO

An African Election | Bill Cunningham New York | The Interrrupters | The Redemption of Gerenal Butt Naked | We Were Here


PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Margin Call – O Dia Antes do Fim


PRÊMIO PIAGET PARA PRODUTORES

Martha Marcy May Marlene | Mosquito Y Mari | O Abrigo


PRÊMIO “SOMEONE TO WATCH”

Mark Jackson, de Without | Nicholas Ozeki, de Mamitas | Simon Arthur, de Silver Tongues


PRÊMIO “TRUER THAN FICTION AWARD”

Alma Har’el, de Bombay Beach | Danfung Dennis, de Hell and Back Again | Heather Courtney, de Where Soldiers Come From

6 Comments

  1. […] Nada contra “Quem Quer Ser Um Milionário”, “Guerra ao Terror” e “O Discurso do Rei”, mas já era hora de um filme realmente excelente vencer o Oscar. Isto aconteceu na última edição do evento, que rendeu a “O Artista” os prêmios de melhor filme, melhor direção, melhor ator, melhor trilha-sonora e melhor figurino. Seu maior oponente, “A Invenção de Hugo Cabret”, somou cinco vitórias, mas apenas em categorias técnicas. Embora a tensão se concentrasse no embate entre o filme de Hazanavicius e Scorsese, a edição reservou surpresas bem agradáveis. Ao contrário de suas participações anteriores, Billy Crystal não empolgou nem um pouco como anfritrião da festa, mas os discursos de vitórias representaram os grandes momentos da noite. Destaca-se Meryl Streep, que após anos e mais anos de indicações finalmente conquistou o seu terceiro Oscar por “A Dama de Ferro”. O vacilo da edição foi o esquecimento da interpretação arrasadora de Tilda Swinton em “Precisamos Falar Sobre o Kevin” – a vaga foi ocupada pela superestimada Rooney Mara, que faz uma Lisbeth Salander inferior àquela incorporada por Noomi Rapace na versão sueca de “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Em tempo: das premiações pré-Oscar, não deixe de conferir também os comentários sobre os vencedores do último Globo de Ouro e Independent Spirit Awards. […]

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