Resenha Crítica | Colossal (2016)

Colossal, de Nacho Vigalondo

Mesmo lançando várias continuações e adaptações de quadrinhos a cada semana, é possível visualizar em Hollywood algumas faíscas de originalidade uma vez ou outra, geralmente asseguradas por casamentos estranhos. O mais recente deles acontece em “Colossal”, em que o diretor espanhol Nacho Vigalondo (de “Crimes Temporais”) forma uma parceria improvável com a vencedora do Oscar Anne Hathaway com uma trama maluca que parece saída do cinema nipônico.

Aqui, Hathaway (ótima, por sinal) é Gloria, uma mulher há um ano desempregada que vive de sair com os amigos para se embriagar e esconder o fato de ser alcoólatra de seu companheiro Tim (Dan Stevens), que a despeja do apartamento em que vivem em Nova York ao considerar que a situação  já está no limite do tolerável. Sem dinheiro e família, ela retorna à cidade em que nasceu, hoje uma espécie de réplica ainda mais decadente de Detroit.

Amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis) vem como um alento para Gloria. O sujeito não apenas a ajuda a mobiliar a casa abandonada que voltou para habitar, como também lhe oferece o emprego de garçonete no bar em que é proprietário. Paralelo a esse recomeço, os noticiários destacam os ataques de uma criatura gigante em Seoul, que logo revelará uma conexão com Gloria.

Ir além dessas informações seria estragar as surpresas dos espectadores que recusaram os trailers para ir assistir o filme no escuro. E, para ser franco, não é o toque fantástico o grande atrativo de “Colossal”, mas sim as analogias palpáveis que o também roteirista Nacho Vigalondo traça entre Gloria e os ataques do monstro a partir da segunda metade de sua história.

De uma hora para a outra, sem que para isso a fluência narrativa seja sacrificada, Gloria passa a se reconhecer em um contexto de manipulação ao lutar por sua própria sobriedade, com os sintomas de relações abusivas ganhando proporções atômicas. Pena que a densidade é limitada pelas concessões que Vigalondo precisa fazer pelo porte da produção que está à frente, injetando algumas doses cômicas que resultam incompatíveis com a criatividade de sua proposta.

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