Resenha Crítica | Três Anúncios Para Um Crime (2017)

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Vencedor do Oscar pelo curta-metragem “O Revólver de Seis Tiros”, o britânico Martin McDonagh seguiu para os longas mantendo as narrativas com um humor negro bem particular, privilegiando protagonistas com um caráter bem dúbio geralmente em busca de algum porto seguro mesmo envolvido com alguma atividade ilegal ou medida inapropriada. Foi assim com “Na Mira do Chefe”, com “Sete Psicopatas e um Shih Tzu” e agora com “Três Anúncios Para Um Crime”.

Vencedor do prêmio da audiência nos festivais de Toronto e San Sebastián e de melhor roteiro em Veneza, “Três Anúncios Para Um Crime” é um salto enorme de Martin McDonagh comparado aos seus feitos anteriores. E isso acontece porque nunca foi tão bem ajambrado na consequência mordaz provocada pelo seu humor quanto aqui.

Em um grande momento no cinema como há muito não se via, Frances McDormand interpreta Mildred, uma mulher que se entregou a completa amargura desde o assassinato brutal e sem solução de sua filha Angela (Kathryn Newton). Por conta própria, banca o aluguel de três outdoors para em cada um expôr as seguintes frases: “Estuprada enquanto morria”, “Mas ninguém foi preso” e “Por que, chefe Willoughby?”.

Vivido por Woody Harrelson, o chefe Willoughby é aquela figura incorruptível de Ebbing, cidadezinha pertencente a Missouri. Portanto, é visto como um homem exemplar pelos habitantes, que logo se enfurecem com Mildred, especialmente o oficial Dixon (Sam Rockwell, que não pode ser esquecido na temporada de premiações), um sujeito racista, homofóbico e completamente imaturo.

O que não falta em “Três Anúncios Para Um Crime” é uma galeria extensa de grandes personagens, incluindo ainda o publicitário Red (Caleb Landry Jones), o ex-marido de Mildred, Charlie (John Hawkes), e James (Peter Dinklage), que vai tomando uma participação cada vez maior em toda essa história. Mas é essencialmente um filme sobre Mildred, Willoughby e Dixon.

Sem abrir mão do seu humor desconcertante, desse em que o espectador repensa sobre a gargalhada sonora que deu no segundo seguinte, McDonagh ainda oferece um filme humano que jamais desacredita na possibilidade de redenção de seus protagonistas, inclusive Dixon, aquele modelo incorrigível no qual jamais depositaríamos qualquer possibilidade de recomeço. Por tudo isso, a sede de vingança vem a ser secundária quando o fardo de continuar seguindo em frente é mais tolerável.

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