Resenha Crítica | Pela Janela (2017)

Pela Janela, de Caroline Leone

.:: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Exibido em competição no último Festival de Gramado, “Pela Janela” saiu da premiação sem nenhuma vitória, gerando inclusive uma discussão entre jornalistas, com um lado defendendo que, mesmo “Como Nossos Pais” sendo um grande filme, a falta de reconhecimento ao trabalho da estreante Caroline Leone foi criminoso. Trata-se de um drama costurado com uma delicadeza que busca flagrar a vida como ela é na velhice e, por isso mesmo, longe de ser uma unanimidade.

Conhecida do teatro e da televisão, Magali Biff está com presença marcante nos últimos dois anos no cinema. Espetacular em “Deserto” e “Açúcar”, a atriz tem em “Pela Janela” a primeira oportunidade na tela grande de ser o centro de todas as atenções como Rosália, uma mulher com 65 anos que desmorona quando é dispensada como líder de uma fábrica de reatores eletrônicos.

É doloroso o desamparo enfrentado por Rosália, que nada mais tinha em sua vida algo para se sentir preenchida além do trabalho. Para confortá-la, há o seu irmão José (Cacá Amaral), que a incentiva a acompanhá-lo em uma viagem a trabalho de São Paulo a Buenos Aires.

A partir daí, vai depender do próprio espectador se sensibilizar ou não com “Pela Janela”, pois a possibilidade de solução fácil para a solidão da protagonista, justamente a oferta de uma rápida viagem, faz com que a narrativa mergulhe no característico road movie de autodescoberta. Mas não exatamente daquele modelo em que se experimenta fortes emoções, pois Rosália pouco externa o brilho que ainda lhe resta. Uma contenção em que uma parte da plateia descobrirá um universo de significados, enquanto a outra pode sair dele na mais completa indiferença.

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+ Entrevista com a diretora Caroline Leone
+ Entrevista com a atriz Magali Biff
+ Entrevista com o ator Cacá Amaral

One Comment

  1. Achei o filme incrível. A gente sente todo o desamparo de Rosália, ela está incrível..e o comentário do Alex é perfeito..cada um interpreta a seu modo. Algumas mulheres no cinema disseram: “Quando eu achei que ia começar..o filme acaba..Outra; “só valeu pelas cataratas”..Eu pensei: ‘Não adianta tanta dedicação ao trabalho, a modernização não tem coração nem pena…Mas assim como eu , que também uma vez fui despedida qd estava no auge do meu entusiasmo, depois agradeci pq levei uma sacudida e não me acomodei , como aquele trabalho me oferecia: bom salário e acomodação.. Ela pode ver quantos mundos e belezas existem no mundo que ela jamais viria se continuasse naquela fábrica. Deu de presente a panela de pressão..desapegou da cozinha..agora ela é, com certeza outra mulher…

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