Resenha Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome (2017)

Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino

.:: 25º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.

Ao mesmo tempo em que o primeiro amor é sempre rememorado por nós com muita ternura, não há nada mais devastador do que conviver com a sua ruptura. E não importa quanto a sua finitude. Se a sua duração foi de uma longa existência ou de um mero lance de uma temporada do ano. O sentimento que fica é que as sensações experimentadas jamais podem ser reprisadas com outros parceiros, mesmo que o amor volte inúmeras vezes a nos consolar.

Por tudo isso, é compreensível que “Me Chame Pelo Seu Nome” esteja tocando de modo especial a plateia desde a sua primeira passagem pela tela grande, no Festival de Sundance de 2017. Não somente porque há dois protagonistas inquestionavelmente belos que atiçam as fantasias dentro de uma relação homoafetiva, mas porque o que eles passam juntos durante um verão na Itália em 1983 é definitivamente implacável.

Jovem de 17 anos, Elio (Timothée Chalamet) é filho de um arqueólogo (Michael Stuhlbarg) que convida um de seus ex-alunos, Oliver (Armie Hammer), de 24 anos, para dar um suporte em um estudo acadêmico. A princípio, Elio o recepciona com indiferença, mas existe claramente um interesse físico por ele, denotado pelo modo como é incapaz de desviar o olhar quando Oliver está aproveitando os seus intervalos no jardim de sua casa.

Não poderiam se corresponder de modo mais conflitante, mas logo buscam por um convívio pacífico que vai culminando em uma tensão sexual que explode com flertes e carícias que se dão quando estão afastados de qualquer potencial testemunha. Tudo encenado com um fato reconfortante: não se tem aqui dois homens em dúvida quanto a própria sexualidade ou vítimas das pressões externas, mas sim que se descobrem atraídos um pelo outro livres de tais fatores.

É excepcional a parceria que se dá aqui entre Luca Guadagnino e James Ivory. Nome que passou a ser reconhecido no cinema a partir de sua adaptação de “Cem Escovadas Antes de Ir para Cama”, Guadagnino não tem pudores no modo como registra a entrega entre dois corpos, conferindo uma carga dramática mesmo nas mais fetichistas de suas cenas. Já Ivory, com o seu vasto currículo como um diretor que sempre trabalhou as conexões amorosas, adapta um romance tão forte em palavras quanto é nas imagens fotografadas por Sayombhu Mukdeeprom, com todas as granulações que remetem a um álbum de memórias que paulatinamente parece também nos pertencer.

4 Comments

  1. É um filme que não te deixa indiferente..E tudo faz sentido com as FANTÁSTICAS palavras do pai..Foi um amor intenso de verão mas acabou e não quer dizer que eles sejam gays..isto é que é incrível neste filme. Se os país procedessem assim como este, quanto sofrimento dos jovens teriam sido poupados. Um homem culto, uma família culta um jovem inteligentíssimo e preparado em todas as artes..além da beleza dos lugares e da música..com certeza um forte concorrente ao oscar.

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