Resenha Crítica | Visages, Villages (2017)

Visages villages, de Agnès Varda e JR

Cineasta belga que em breve completará 90 anos, Agnès Varda construiu a partir da ficção e do documentário uma carreira com obras por vezes duras, como os clássicos sessentistas “Cléo das 5 às 7” e “As Duas Faces da Felicidade” e o oitentista “Os Renegados”, o seu filme mais popular também conhecido como “Sem Teto, Nem Lei”. Quem assiste a esses e outros títulos, jamais associaria quem os fez com a simpática senhorinha que se apresenta em “Visages, Villages”, atualmente na disputa pelo Oscar 2018 de Melhor Documentário.

Sempre com longos casacos e cabelos com duas colorações, a diminuta Agnès até mesmo parece uma versão de saias do Mestre dos Magos de “Caverna do Dragão”, adotando um tom de voz apaziguador enquanto devaneia como se tivesse muitas lições para repassar aos mais jovens. Há até quem não suportará Jean Réné, ou JR, o artista urbano francês que dividirá com Agnès as peripécias em um documentário no qual contribui para expor mais a faceta humana e menos a artística de sua parceira.

Em resumo, temos aqui o registro das paradas realizadas em zonas industriais e rurais da França, nas quais Agnès auxilia JR a fazer captura de trabalhadores anônimos com a intenção de imprimir estampas gigantes de suas faces e assim espalhá-las como cartazes em postes. Nos intervalos, fortalecem a amizade, com Agnès por vezes rememorando alguns momentos de sua carreira. Como vemos ao tratar sobre o curta-metragem que produziu em 1961 chamado “The Fiancés of the Bridge Mac Donald”, protagonizado por Jean-Luc Godard e Anna Karina, que de algum modo levará a dupla a um ponto de destino bem desagradável para a veterana no clímax de “Visages, Villages”.

A singeleza do registro deixa evidente uma falta de espontaneidade, com encontros, troca de diálogos e narrações em off ensaiados demais para algo que deveria ser traduzido na tela com maior naturalidade. De qualquer modo, isso não torna desonesta a parceria sustentada por Agnès e JR, duas gerações que encontram uma possibilidade de cumplicidade mútua a partir de aspirações e inspirações traduzidas em fazeres artísticos bem distintos.

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Lançamento em streaming:
Disponível a partir do dia 22 de fevereiro
 | NOW (R$14,90) | VIVO PLAY (R$ 11,90)

 

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