Resenha Crítica | Cartas Para Um Ladrão de Livros (2017)

Cartas Para Um Ladrão de Livros, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros

Documentaristas em quarto projeto, Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros encontram em “Cartas Para Um Ladrão de Livros” a mais complicada espécie de figura real para se acompanhar: o indivíduo inconstante que vive de procedimentos ilegais. Faz lembrar o que a dupla Maíra Bühler e Matias Mariani viveu no igualmente ótimo “A Vida Privada dos Hipopótamos“, em que coletaram depoimentos do americano Christopher Kirk sobre a enrascada que se meteu ao aparentemente viver uma aventura com uma mulher colombiana.

Aqui, o foco é em Laéssio Rodrigues de Oliveira, que estampou várias páginas de jornais até se notabilizar como o maior ladrão de livros raros no Brasil. Como o documentário apresenta, tudo teria começado por uma fascinação por Carmen Miranda, fazendo-o, quase como um ato inconsciente, colocar em sua mochila uma edição da Fon Fon com o rosto da artista na capa durante uma visita ao Museu da Imagem e do Som.

Desde então, rolaram furtos por cinco estados brasileiros, de exemplares literários até fotografias, mapas e gravuras. E como estamos habituados a testemunhar na ficção, em que ladrões de obras com valor artístico por vezes posam como heróis carismáticos diante de seus crimes, Laéssio definitivamente não fica devendo em simpatia, capaz até mesmo de nos fazer encantar por sua pessoa enquanto revela uma jornada de passos tortos.

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Além do acesso privilegiado a um protagonista contando a sua própria história, é interessante como os imprevistos forçam o documentário a percorrer caminhos a princípio inseguros e depois com novas possibilidades. Os diretores inclusive tocaram “Entre os Homens de Bem” dentro do intervalo de dois anos que se deu durante as filmagens de “Cartas Para Um Ladrão de Livros” a partir de uma prisão de Laéssio.

É como se aqui estabelecesse de improviso a pirâmide social defendida por Laéssio no campo criminal, na qual a base sempre atua como bode expiatório para as divisões superiores em que compradores anônimos de obras roubadas nunca são comprometidos criminalmente.

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