Resenha Crítica | Minha Amiga do Parque (2016)

Mi amiga del parque, de Ana Katz

Do drama (“Destinos Ligados“) ao terror (“O Babadook”), o que não tem faltado no cinema contemporâneo são bons registros em que a maternidade é vista longe dessa idealização de que tudo são flores a partir do momento em que uma mulher concebe uma criança. Diretora, roteirista, atriz e produtora de “Minha Amiga do Parque”, Ana Katz é outra a ofertar uma perspectiva nada lisonjeira sobre o tema.

Liz (Julieta Zylberberg, uma das protagonistas do primeiro segmento de “Relatos Selvagens“), está em um momento de solidão muito delicado. Profissional em uma editora, há pouco concebeu Nicanor (Andrés Milicich), dedicando-se 24 horas ao rebento. Com o marido cineasta Gustavo (Daniel Hendler) a milhas de distância, estuda a hipótese de contratar os serviços de uma babá para aliviar a barra.

O problema é que Liz, já cheia de complexos pela incapacidade de amamentar o seu bebê, não consegue por um segundo se desvincular das tarefas como mãe, tendo dificuldades inclusive de socializar com as outras mães que moram ao redor do seu apartamento. Isso começa a mudar ao fazer amizade com Rosa (papel da própria Ana Katz), que se apresenta como mãe da também bebê Clarisa (Manuela García Dudiuk) e irmã da instável Renata (Maricel Álvarez).

Na primeira oportunidade que ambas têm de tomar um café, Rosa toma uma atitude que já a desqualificaria como uma pessoa confiável para se ter por perto: quando Liz deixa o valor total da conta na mesa para ser paga, Rosa apanha as notas e sai em disparada. A questão é que Liz não recua, ainda que a desconfiança que paira sobre a nova amiga aumenta a cada encontro.

Esse primeiro lançamento da Descoloniza Filmes (que agora prepara a estreia de “Híbridos: Os Espíritos do Brasil”) conta com o privilégio de apresentar uma perspectiva feminina para tratar de algo muito pertinente a esse público. No entanto, Ana Katz não se mostra aqui uma boa contadora de história.

As situações não são dramáticas o suficiente para comover, misteriosas para causar apreensão ou mesmo cínicas para proporcionar algum riso nervoso. Mesmo o choque a princípio interessante causado entre duas mulheres vindas de realidades diferentes (Liz tem uma vida mais confortável ao passo que Rosa parece se sustentar a partir de trambiques) é inverossímil e aborrecido, especialmente pela clareza que fornece de que as coisas não estão rumando para um destino minimamente curioso. Surpreende, portanto, que tenha sido laureado com o prêmio de roteiro no panorama mundial do Festival de Sundance em 2016.

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