Resenha Crítica | Operação Red Sparrow (2018)

Red Sparrow, de Francis Lawrence

Feito raro no cinema, o cineasta Francis Lawrence e a sua protagonista Jennifer Lawrence (que não apresentam parentesco, apesar do mesmo sobrenome) conseguiram encerrar uma das poucas franquias com uma mulher no centro da história. Entretanto, com “Operação Red Sparrow” prometeram uma reunião não exatamente destinada aos fãs de “Jogos Vorazes“, com uma trama de espionagem mais voltada ao público adulto do que juvenil.

A proposta de alçar voos mais altos é bem-intencionada, mas, desta vez, o resultado é, com muita boa vontade, médio. Além de um bom elenco, com um time secundário trazendo veteranos como Charlotte Rampling, Jeremy Irons e Ciarán Hinds, “Operação Red Sparrow” tem excelente acabamento. Há tempos não se ouvia James Newton Howard numa composição tão atmosférica. A fotografia do belga Jo Willems reveste a imagem com uma tonalidade típica dos thrillers europeus. E Maria Djurkovic (indicada ao Oscar pela cenografia de “O Jogo da Imitação“) aproveita ao máximo as locações na Bulgária.

Já o roteiro, baseado no romance “Roleta Russa” de Jason Matthews, carece de autenticidade. Ambientado na Rússia, temos nele a bailarina Dominika Egorova (J-Law), que sofre um acidente grave durante uma apresentação. Impossibilitada de voltar ao ofício e mantida junto com a sua mãe doente (Joely Richardson) pelo governo, Dominika aceita de seu tio militar, Vanya Egorov (Matthias Schoenaerts), a proposta de se transformar em espiã para confirmar a identidade do detetive da CIA que estaria se infiltrando na Inteligência Russa.

Antes de cruzar o caminho de Nate Nash (Joel Edgerton), o principal suspeito, Dominika é submetida a um treinamento em que categoriza como “escola de prostituição”, ambiente capitaneado pela impenetrável Matron de Charlotte Rampling em que os jovens espiões aprendem técnicas para o seduzir inimigo. O que ela vai aos poucos constatando é que entrou num caminho sem volta, podendo inclusive sacrificar a sua própria vida para atender aos interesses de seu país.

É preciso reconhecer que Francis Lawrence encena a violência de modo que pode resultar chocante para as plateias habituadas aos blockbusters americanos com censura mais branda. Ainda assim, há uma dessintonia imperando em “Operação Red Sparrow”, como se o filme sustentasse uma personalidade que não lhe pertence.

Aqui, se americaniza o cenário apropriado, com resultados tão falsos quanto os obtidos por “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” e “Boneco de Neve”. Mas o pior é o descuido com o qual Dominika é construída. J-Law é uma atriz expansiva demais para incorporar uma mulher introspectiva e a sua química com Joel Edgerton, essencial para o progresso da narrativa, é mais fria que a temperatura do inverno russo. Além do mais, a personagem tem uma capacidade de autodefesa e uma inteligência para a articulação de armadilhas sem que o filme jamais lhe dê estofo para justificar tantas habilidades. Não foi dessa vez, Lawrence & Lawrence.

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