Resenha Crítica | Tomb Raider: A Origem (2018)

Tomb Raider, de Roar Uthaug

Dirigido em 2001, “Lara Croft: Tomb Raider” estava longe de ser um grande filme, mas é inegável que abriu algumas portas dentro deste jovem século. Norteou não somente a produção de outras adaptações de games para o cinema, como também provou que é possível atrair a atenção do público para os filmes de ação com uma mulher no centro de sua história. Recebeu até mesmo uma sequência dois anos depois, “Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida”, mas o desinteresse por esse retorno da heroína, fruto de escolhas bem bisonhas de seu diretor Jan de Bont (o soco no tubarão!) matou a possibilidade de novos capítulos.

15 anos depois, Lara Croft volta ao cinema remodelada, agora com uma história de origem. Com 29 anos, a vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa” Alicia Vikander é a nova atriz com a responsabilidade de dar uma face diferente à Lara Croft, tentando se transformar sem muito sucesso em uma presença gigante na tela com os seus meros 1,66 m de altura. A sueca faz o que pode, mas dá saudade de Angelina Jolie.

Os problemas, no entanto, residem muito mais no roteiro insípido de Alastair Siddons e Geneva Robertson-Dworet e na condução sem imaginação de Roar Uthaug, que teve mais êxito em sua Noruega natal na direção de “Presos no Gelo” e “A Onda”. Trata-se de uma produção que vem com uma marca já testada e aprovada em outra mídia, mas que aqui se revela uma experiência esquecível que sequer funciona muito bem como uma matinê descompromissada, uma vez que as suas duas horas de duração não descem redondo.

Aqui, o pai de Lara Croft, o bilionário Richard Croft (Dominic West), está desaparecido há tantos anos que foi dado como morto. Resta que Lara, a sua única herdeira, o decrete como tal, mas ela continua firme na crença de que ele ainda vive, assim negando toda a sua fortuna e tentando se virar como entregadora de comida oriental com a sua bicicleta. Antes que decida jogar a toalha, Lara tem acesso a um karakuri, artefato japonês parente do cubo mágico que contém pistas sobre o seu pai, fazendo-a embarcar em uma jornada para traçar os seus últimos passos.

De bom neste “Lara Croft: A Origem”, só mesmo essa ausência paterna assombrando a protagonista. Mesmo se descobrindo no processo uma arqueóloga e de até perder algumas lutas (como a de boxe que abre o filme), temos uma heroína que apresenta mais habilidades para fugir do perigo do que para enfrentá-lo, disparando não mais que meia dúzia de flechas e com paupérrimos combates na mão. Aqui, Lara Croft sequer se esforça para se equiparar a um Indiana Jones ou Allan Quatermain.

O principal atrativo dos games, em algum grau transportado na encarnação de Angelina Jolie, era justamente a motivação de Lara Croft em desvendar um mistério, às vezes de teor sobrenatural, o que incrementava a história com enigmas e perigos divertidíssimos. Neste “A Origem”, sequer há esse senso de aventura e curiosidade, programando somente para o ato final uma imersão em um cenário repleto de armadilhas que são elucidadas com uma capacidade de raciocínio inverossímil em que o espectador lamentavelmente não é convidado a participar.

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