Resenha Crítica | Árvores Vermelhas (2017)

Red Trees, de Marina Willer

A geração que sobreviveu ao Holocausto assegurou a sua continuidade e agora está envelhecida, buscando nos estágios finais da existência alguma paz e conforto depois de estarem diante de uma das maiores atrocidades já testemunhadas na história da humanidade. Daí a propagação de registros ficcionais e documentais moldados a partir das memórias desses sobreviventes, por vezes compartilhados como testamentos para uma contemporaneidade que protagoniza as suas próprias guerras.

A cineasta Marina Willer, que em 2000 codirigiu um curta-metragem dedicado ao cartunista Henfil e hoje mais conhecida com o seu trabalho como designer, faz a sua contribuição a esse recorte partindo de algo muito particular no documentário “Árvores Vermelhas”. Afinal, a história aqui contada é a de seu pai, Alfred Willer, arquiteto com 87 anos que desde a juventude vive no Brasil.

A razão de sua permanência no país se deve ao período em que escapara do governo nazista, tendo antes encontrado refúgio em Praga. Entre os checos, os Willer foram uma das somente doze famílias sobreviventes do Holocausto. Ainda assim, viveram em estado de alerta e desapego, recompensados no Brasil com uma chance de recomeço e prosperidade.

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Alfred Willer, cujo daltonismo é razão do nome do documentário, é um senhor adorável. Com uma duração mais enxuta, a sua presença magnética, junta à exposição de imagens de arquivo, seria mais que adequada para moldar “Árvores Vermelhas”, mas Marina faz escolhas desnecessárias na busca de engrandecer o seu registro.

Com um time de respeito em sua equipe, como César Charlone como o fotógrafo dos registros brasileiros e Karen Harley como uma das montadoras, Marina busca por uma poesia que soa mais redundante do que bela, indo da captação de trapos em um varal até o desenvolvimento de um terceiro ato que contém um sem número de promessas de conclusão. O maior equívoco, entretanto, foi trazer o finado ator britânico Tim Pigott-Smith como a voz da narração em off para substituir os relatos mais informais de seu pai Alfred.

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