Resenha Crítica | Animais (2017)

Tiere, de Greg Zglinski

.:: 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo ::.

Com todas as suas ferramentas para manipular o público, o cinema é uma arte muito adequada para produzir experiências que funcionam quase como quebra-cabeças, convidando o espectador para decifrar um enigma que se elucidará talvez apenas na última cena, quando toda uma imagem em fragmentos for construída. Coprodução entre Suíça, Áustria e Polônia, o suspense “Animais” oferta exatamente essa proposta.

A escritora Anna (Birgit Minichmayr, de “A Fita Branca”) e o chef de cozinha Nick (Philipp Hochmair, de “A Qualquer Preço“) formam um casal que pega a estrada para uma viagem. Durante o trajeto, o carro em que estão colide com uma ovelha. Saem do acidente com leves ferimentos na testa que se curam em um dia. No entanto, alguns desdobramentos posteriores ao episódio confundem especialmente a rotina de Anna, às vezes a única testemunha dessas ocorrências.

Paralelamente, também acompanhamos Mischa (Mona Petri), jovem encarregada de cuidar do apartamento de Anna e Nick antes de partirem para um chalé suíço. Ela, que também sofreu um pequeno acidente (bateu a cabeça ao escorregar em um skate abandonado no térreo do apartamento), passa a ser confundida com Andrea por um sujeito inoportuno, Harald (Michael Ostrowski).

No curso da narrativa, algumas revelações são lançadas. Como a infidelidade de Nick, logo nos primeiros minutos de “Animais” flagrado se despedindo de Andrea quando esta está abatida em seu sofá. Mas o que pavimenta o mistério é mesmo a série de fenômenos estranhos que assolam principalmente Anna. Há aqui desde a falta de noção da passagem dos dias, a leitura em jornal de um destino não concretizado, pesadelos envolvendo homicídios e até a “amizade” com um gato falante.

Em seu terceiro longa-metragem, o polonês Greg Zglinski tem inegável domínio de direção e, com o auxílio de seu corroteirista Jörg Kalt, acrescenta toques de humor bem-vindos ao texto. Há inclusive algumas rimas visuais muito boas, como a promessa de Anna em parar de fumar seguida da solada que dá no cigarro consumido minutos depois. Porém, por bolar algo tão dependente de uma resolução, “Animais” desaponta ao final, dando espaço a uma confusão oriunda de uma mente criativa e assim limitando as possibilidades de linhas de interpretação.

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