Resenha Crítica | Golias (2017)

Goliath, de Dominik Locher

.:: 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo ::.

A vinda do século XXI permitiu uma série de progressos quanto a paradigmas comportamentais, hoje com as questões de preconceito e representatividade sendo discutidas com uma liberdade não testemunhada em gerações passadas. Entre as principais pautas, há o modo como o homem se apresenta ao mundo, ainda carregando todos aqueles conceitos do que muitos dizem constituir o tal “macho alfa”, impondo a sua autoridade às vezes recorrendo à violência.

Segundo longa-metragem de Dominik Locher, “Golias”, que ano passado concorreu no Festival Internacional de Cinema de Locarno em sua categoria principal e também à Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na Competição Novos Diretores, trata muito sobre como se constitui um machista em um indivíduo já adulto. No entanto, o processo vem como uma resposta às circunstâncias quando David (Sven Schelker) – ou melhor, Davi – não responde com a bravura que a sua mulher grávida Jessy (Jasna Fritzi Bauer) esperava em uma noite fora de casa.

Ao se atracar em um banheiro de uma balada, o casal é retirado à força do estabelecimento, com o segurança deixando fortes hematomas no braço de Jessy sem que David tenha intervindo. Minutos depois, ela leva um soco de um estranho que provoca em um metrô. David tenta defendê-la, mas perde rapidamente o embate físico.

Bastaram os dois episódios para David se converter em Golias, buscando por um colega de trabalho para ajudá-lo nos treinos na academia e a providenciar esteroides para acelerar o crescimento de seus músculos.  A primeira coisa a ser afetada é a vida sexual do casal com a impotência de David. Depois, vem a reação física diante de desentendimentos verbais. Quase uma mutação sem volta, que se agrava com o os estágios da gestação de Jessy.

É muito sábia a escalação de Sven Schelker (que participou da quinta temporada de “Homeland”) para viver o protagonista. Com 26 anos na época das filmagens, o ator tem uma feição de garoto em puberdade e vai assumindo uma transformação surpreendente ao longo do filme. Uma peça essencial para fazer funcionar um drama que às vezes derrapa na elaboração de conflitos nem sempre consistentes e que se esquece de emperrar alguns departamentos pessoais da vida de David, que prossegue usufruindo de um invejável status social mesmo penalizado profissionalmente.

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