Resenha Crítica | A Câmera de Claire + O Dia Depois (2017)

La caméra de Claire & Geu-hu, de Hong Sang-soo

Se há cineastas que têm dificuldades de produzir um único longa-metragem, Hong Sang-soo definitivamente não é um deles. Talvez tenha sido o mais ativo de 2017, entregando nada menos que três filmes exibidos em festivais e lançados comercialmente no Brasil. O primeiro da leva, “Na Praia à Noite Sozinha“, foi avaliado aqui ao abrir o INDIE Festival 2017 e conquistou no Festival de Berlim o prêmio de melhor interpretação feminina para Kim Minhee.

O mais recente a chegar para os cinéfilos brasileiros é “A Câmera de Claire”. Na forma e conteúdo, é definitivamente muito simples. Por isso mesmo, extremamente gracioso. A Claire do título é interpretada por Isabelle Huppert, retomando parceria com Sang-soo cinco anos após “A Visitante Francesa“. Professora, ela visita os arredores do Festival de Cannes (onde o filme inclusive teve uma exibição especial) pela primeira vez com uma polaroid com a intenção de fotografar estranhos.

Há duas pessoas em particular que parecem se transformar quando retratadas pela câmera de Claire, logo a seguir se aproximando dela. O primeiro é o diretor de cinema interpretado por Jung Jin-young. A segunda é uma agente demitida por ele, Jeon Manhee (Kim Minhee novamente), ainda processando simultaneamente a desilusão amorosa e a frustração profissional.

Ainda resistindo nos cinemas, “O Dia Depois” concorreu à Palma de Ouro em Cannes e foi lançado na primeira quinzena de abril em território nacional. A premissa lembra muito uma comédia romântica de encontros e desencontros entre amores e amantes, mas com todas as peculiaridades do coreano. Há até uns arranjos melosos típicos de telenovela para pontuar os descompassos.

Em preto e branco, a história acompanha o editor de livros Kim Bongwan (Kwon Hae-hyo). Casado com Song Haejoo (Cho Yunhee), Kim é abandonado pela sua assistente e amante Lee Changsook (Kim Sae-byeok). As coisas começam a virar de ponta cabeça quando contrata uma nova colaboradora, Song Areum (Kim Minhee, claro), que é confundida com a amante e confrontada pela esposa de seu chefe.

Em todos esses filmes, o humor surge como uma consequência natural para a melancolia da vida, mais associada a pequenas tragédias do destino do que necessariamente uma compensação para uma vida melhor. E talvez por trabalhar tanto com essa característica dramática, Sang-soo parece finalmente encontrar uma sofisticação na escolha canhestra do plano contínuo e os zooms ao invés do tradicional plano e contraplano para registrar as interações humanas. Excelentes opções para dobradinha, mas é preferível deixar “A Câmera de Claire” como segunda sessão do dia por sua conclusão mais otimista para equilibrar o amargo final de “O Dia Depois”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s