Resenha Crítica | Os Estranhos: Caçada Noturna (2018)

The Strangers: Prey at Night, de Johannes Roberts

Embora um legítimo representante do slasher moderno, “Os Estranhos” parecia fazer mais um estudo do medo por uma ameaça à espreita do que necessariamente a exibição de uma contagem de corpos de assassinos mascarados. Com muito pouco em mãos, o então estreante Bryan Bertino há todo o momento brincava com as nossas expectativas em seu jogo de caçador e caça, prolongando ao máximo a ação de um trio de psicopatas contra um casal em um ambiente limitado de possibilidades para diretores menos criativos.

Por tudo isso, é compreensível a demora de 10 anos para a vinda de uma inevitável sequência. Mesmo com o grande sucesso comercial (82 milhões de dólares rendidos mundialmente a partir de um orçamento de 9 milhões), “Os Estranhos” é um filme que se ama e se odeia com intensidades parecidas, pois para muitos a sua proposta resulta em um verdadeiro teste de paciência.

O britânico Johannes Roberts (de “Do Outro Lado da Porta” e “Medo Profundo”) é mais um nome despontando no gênero claramente influenciado por mestres do horror dos anos 1970 e 1980. A primeira coisa importante que faz é desvincular o seu “Caçada Noturna” do original, limando o uso de “2” no título e encarando as coisas como uma “aventura” independente.

Deixando isso claro já no batismo do projeto, Roberts apresenta intenções diferentes. Aqui, o seu terror é mais frontal, pois investe menos nas “prendas” dos assassinos e mais nos ataques que executam. É também mais amplo o espaço, logo abandonando as dependências de um parque de trailers para explorar as ruas, o matagal e os comércios abandonados.

Por fim, adota uma prática comum dos cineastas em ascensão, nos confundindo com uma narrativa contemporânea dotada de elementos antiquados, do estilo de direção à trilha sonora composta por baladas como “Total Eclipse of the Heart”, de Bonnie Tyler (tocada naquela que já é uma das melhores cenas do ano), e “Making Love Out Of Nothing At All”, do Air Supply. Há até uma citação escancarada de Tobe Hooper, a mente por trás de “O Massacre da Serra Elétrica” falecido em agosto de 2017.

Tudo colabora para deixar o peso do mundo sobre os ombros frágeis de Kinsey (Bailee Madison), adolescente que está prestes a ser transferida pelos seus pais Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) para um internato por uma sucessão de más condutas no colégio. Um mero detalhe que só amplia as possibilidades de “Os Estranhos: Caçada Noturna”. Independente se visto pelo prisma da desestruturação de uma família ou da mera luta pela sobrevivência, o resultado será igualmente perverso e arrepiante.

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