Resenha Crítica | Sicario: Dia do Soldado (2018)

Sicario: Day of the Soldado, de Stefano Sollima

Muito além da brutalidade com a qual encenava o plano de derrocada dos cartéis de drogas entre a fronteira do México com os Estados Unidos, “Sicario: Terra de Ninguém” encontrou na protagonista de Emily Blunt os olhos da plateia e o centro moral de todos os dilemas. Era em Kate Macer, uma agente do FBI, que se concentrava a ponta final de um ciclo de desolação permanente.

Em “Sicario: Dia do Soldado”, não há mesmo razão para o retorno de Kate. A sua jornada se encerrou em “Terra de Ninguém”, sem perspectiva positiva de resolução. Mas talvez falte nesta continuação também escrita por Taylor Sheridan uma nova adição de personagem que se corrompa no processo.

Há aqui uma série de ataques terroristas. As motivações parecem de cunho religioso, mas não é o que pensa o agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin). Com o aval do Secretário de Defesa James Riley (Matthew Modine) e supervisão da diretora da CIA Cynthia Foards (Catherine Keener), ele deduz que há um novo cartel partindo para o massacre de civis americanos.

O plano é estabelecer na surdina um conflito entre grupos que visa anulá-los. Vem assim os serviços informais de Alejandro (Benicio Del Toro), que forja o sequestro da adolescente Isabel Reyes (Isabela Moner), filha do mais influente chefão das drogas.

Presença que crescia em “Terra de Ninguém”, Benicio Del Toro é agora o centro em que orbita “Sicario: Dia do Soldado”. Do misterioso implacável, o seu Alejandro é agora um homem que às vezes deixa a emoção ditar os seus passos. Vê em Isabel uma reprodução da filha que perdeu e surge em sua fuga até mesmo um casal surdo que humaniza o seu desejo ainda não concluído de vingança.

Stefano Sollima não consegue igualar a tensão magistral orquestrada pelo canadense Denis Villeneuve na obra original. Em contrapartida, a estética particular para o cenário de barbárie prossegue com a fotografia de Dariusz Wolski (substituindo Roger Deakins), assim como a teia de relações complexas entre personagens e organizações de poder.

O realizador italiano esteve inclusive envolvido nos dois anos na série “Gomorra”, além de outros exemplares criminais feitos para a tevê. Portanto, parece uma escolha acertada para algo que em sua segunda metade evidencia as intenções de se estender para uma trilogia.

+ leia a análise de “Sicario: Terra de Ninguém”

One Comment

  1. O primeiro tem uma das melhores atuações da carreira da sempre ótima Emily Blunt.Ela e Denis Villeneuve fora da continuação,deixa tudo um pouco mais sem graça…vou conferir por curiosidade.

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