Resenha Crítica | Ana e Vitória (2018)

Ana e Vitória, de Matheus Souza

As amigas Ana Caetano e Vitória Falcão formam aquele raro modelo de união entre talento e sorte que reverberou em sucesso. Além de se distanciarem do protótipo de jovens artistas moldadas por empresários gananciosos, a dupla de Araguaína traçou uma vida universitária sem ligação com o universo musical, com Ana cursando medicina e Vitória, direito.

Foram descobertas por Felipe Simas através de vídeos descompromissados em que cantavam sucessos de grandes amigos. Quatro anos após a produção de um EP, o agora duo Anavitória separa seu nome para recontar, com muitas intervenções ficcionais, um pouco dessa trajetória em três capítulos.

O brasiliense Matheus Souza é muito interessado na juventude, como demonstrou em “Apenas o Fim” e “Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”, sendo abordado para tocar a história de Anavitória. Faz o que entrega o pôster: uma comédia romântica musical sobre relacionamentos modernos.

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+ Entrevista com Ana Caetano e Vitória Falcão sobre o filme “Ana e Vitoria”

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Conta pontos o fato de “Ana e Vitória” ser uma produção independente, desviando daquela coisa com cara televisiva parecida com o que vimos no início do ano com “Gaby Estrella: O Filme“. Deixar as meninas mais a vontade para serem quem são ao invés de exigirem que interpretem versões de si mesmas também contribui para maior empatia.

Há ainda um interesse por um ponto de partida que descarta as convenções da cinebiografia com maior interesse em compreender a dinâmica que dita hoje os amores e desilusões entre os jovens. No contexto contemporâneo de Ana e Vitória (e nosso), a rotulação da sexualidade não importa e os relacionamentos abertos não parecem ser a resposta ideal contra os monogâmicos.

Faltou um acabamento mais consistente. A música é secundária em “Ana e Vitória” e vai se tornando cada vez mais deslocada com o progresso da narrativa. A primeira parte, focada no reencontro entre as amigas depois do ensino fundamental em uma festa no Rio de Janeiro, poderia ter uma fotografia mais cuidada.

Por fim, a longa duração de duas horas pouco faz para o desenvolvimento dos personagens secundários, em sua maioria caricatos. É difícil tolerar, por exemplo, Cecília (Clarissa Müller), que faz exigências egoístas mesmo na noite em que a sua namorada Ana está para mudar de vida. Conhecido também por sua cobertura em cinema, Bryan Ruffo vem como uma exceção ao interpretar o melhor amigo de Vitória, em exposição franca das fragilidades masculinas.

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