Resenha Crítica | Megatubarão (2018)

The Meg, de Jon Turteltaub

Jason Statham + um tubarão digital com mais de 20 metros de comprimento. Às vezes um projeto tem a fórmula perfeita para proporcionar o que não se vê com muita frequência no cinema americano, sendo a bobagem tipo b que não tem vergonha de se assumir como tal.

É exatamente o que se espera de “Megatubarão”, mas eis que as expectativas não batem. Lembra muito o que aconteceu há 12 anos com “Serpentes a Bordo”, com a oferta de produto por um grande estúdio com espírito trash que, na prática, está longe de chutar o pau da barraca.

Na realidade, “Megatubarão” é muito mais um resultado estranho de uma constatação cada vez mais evidente: a da China como salvadora dos blockbusters hollywoodianos. Aqui, um time conhecido pelos americanos assume os cargos principais do filme, como a direção, roteiro e elenco, enquanto os chineses se encarregam de inserir alguns de seus astros a bordo em papéis secundários e também de viabilizar grande porcentagem dos gastos da produção.

Portanto, o herói Jonas Taylor (Statham) será visto abandonando temporariamente a aposentadoria forçada como capitão naval para uma missão de risco: o resgate de sua ex-mulher Lori (Jessica McNamee) e outros dois colegas, Toshi (Masi Oka) e o Muralha (Ólafur Darri Ólafsson), nas profundezas do Oceano Pacífico após serem atacados por algo a princípio desconhecido.

Para o desdobramento desse e de outros incidentes que rolarão, o protagonista dividirá a cena com Suyin (Bingbing Li), mãe solteira de Meiying (Sophia Cai) que prova que há muito já não vive mais à sombra de seu pai Zhang (Winston Chao). A união entre potências cinematográficas se efetiva. Já no restante, “Megatubarão” deixa a desejar.

O primeiro erro do trio de roteiristas é a base em um livro de terror com tom sério, escrito em 1997 por Steve Alten. O segundo é que o diretor Jon Turteltaub é desses cujos maiores êxitos curriculares foram os projetos que conduziu para a Disney como mero diretor de aluguel, quase há 30 anos trabalhando sem ter se envolvido em nada que visualizamos uma assinatura autoral.

Por isso, “Megatubarão” não é eficaz como filme de terror, de ação e muito menos de comédia. Com censura PG-13 (14 anos no Brasil), o sangue que se tem é o de vísceras de iscas – no clímax, que tanto prometia, a água fica cristalina mesmo com muitos corpos aparentemente destroçados. A adrenalina é zero. E a graça se resume a estereotipação de personagens secundários, do negro falastrão de Page Kennedy ao bilionário de Rainn Wilson que prioriza lucros ao invés de vidas humanas. Melhor ficar com o crocodilo imbatível de “Pânico no Lago”.

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