Resenha Crítica | Acrimônia: Ela Quer Vingança (2018)

Acrimony, de Tyler Perry

Excetuando a direção de “I Can Do Bad All By Myself”, a participação como ator coadjuvante em “Garota Exemplar” e a como produtor de “Preciosa: Uma História de Esperança“, a crítica americana nunca foi favorável a Tyler Perry. Já a resposta do público tem sido inversa: o sucesso não somente viabilizou a existência da The Tyler Perry Company, como torna o artista uma pauta interessante quanto a representatividade negra no cinema.

Mais de duas dezenas de filmes compõem o currículo de Tyler Perry como cineasta, mas é a primeira vez que o circuito de cinema brasileiro o abraça. E a oportunidade vem com a sua investida em um gênero oposto às comédias que o notabilizaram com a sua frequente encarnação de Madea, esta uma senhorinha intransigente que tanto assombra a imprensa especializada.

Justamente a protagonista “I Can Do Bad All By Myself”, a excelente Taraji P. Henson retoma parceria com Perry para chutar o pau da barraca e entregar o desempenho mais deliciosamente caricato de sua carreira. Ela é Melinda, uma mulher que por anos a fio foi extremamente devota a Robert (Lyriq Bent), por quem foi perdendo todas as suas posses e, consequentemente, a sanidade.

Isso aconteceu paulatinamente porque Melinda, que herdou ainda jovem de sua mãe a casa da família e a quantia de 350 mil dólares, atendeu a todos os caprichos de Robert, antes um rapaz aproveitador e agora um homem maduro que não a ajuda nas finanças e nas tarefas domésticas para se dedicar exclusivamente a um experimento científico de uma bateria auto-renovável que pode lhe render milhões.

Daí o título “Acrimônia”, um substantivo para ressentimento, raiva, hostilidade, amargura, antagonismo e tantos outros que geralmente preenchem o vazio de um relacionamento rompido. Como o de Melinda e Robert, fazendo a primeira a nos ser apresentada quando está em sua primeira sessão de psicoterapia por razões que vão se elucidando.

Contra todas as expectativas negativas, Tyler Perry conduz essa história contada em flashbacks de modo envolvente. O elenco dá conta do recado (inclusive Ajiona Alexus e Antonio Madison, que interpretam as versões jovens dos protagonistas) e as divergências do que é narrado dentro daquilo que se vê ampliam o jogo de aparências e nos faz relevar deslizes primários, das coincidências do roteiro ao green screen gritante de “tomadas externas”.

Uma pena que tudo sucumba em seu ato final a algo digno de um Supercine de quinta categoria, encenando um enfrentamento físico esperado, mas patético. Pode até ser uma boa notícia para quem abraça com facilidade o humor involuntário, mas definitivamente não ajudará Tyler Perry a ser levado a sério.

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