Resenha Crítica | Medo Viral (2016)

Bedeviled, de Abel Vang e Burlee Vang

Há anos que o smartphone se tornou um item de fácil aquisição para os jovens, utilizado não somente como uma ferramenta de comunicação, como também de necessidade para a organização de suas vidas e de expô-las com mais facilidade em redes sociais. Item de dependência e conforto agora usado como premissa para filmes de terror.

Porém, se por um lado há mentes criativas que se apropriam de recursos tecnológicos para estabelecer uma ameaça que ganha formas mais complexas, a exemplo do espírito vingativo que se infiltra na comunicação coletiva via Skype no perturbador “Amizade Desfeita”, por outro há um grupo de cineastas estreantes e sem um pingo de talento e conhecimento da dinâmica virtual. Erdal Ceylan provou ser um deles há dois meses com “Selfie Para o Inferno“. Agora é a vez dos irmãos Vang.

“Medo Viral” é quase um “Medo Ponto com BR” desta década, com o prejuízo de que os Vang sequer têm o apelo estético de William Malone. Basicamente, os quase 100 minutos giram em torno de um novo aplicativo que a princípio parece exercer as funcionalidades de um empregado doméstico, encarregando-se de tarefas que envolvam o ligar e desligar de qualquer interruptor até fazer pedidos por telefone.

A questão é que a coisa é todinha fruto de uma entidade diabólica, que aos poucos vai deixando de ser esse auxiliar cordial para enfim assustar o seu usuário até que ele morra. É o que acontece com a jovem Nikki (Alexis G. Zall), encontrada morta após um ataque cardíaco para lá de questionável. Dá que Alice (Saxon Sharbino) e os demais amigos de Nikki descarregaram o aplicativo, agora também marcados para morrer.

Tedioso, “Medo Viral” ainda demonstra a incapacidade dos Vang em estabelecerem uma atmosfera de horror. A paciência que o espectador empregará ao acompanhar o fiapo de história jamais é recompensado: os jump scares são aquelas velhas batidinhas no ombro do amigo que surge sem aviso prévio, as mortes sempre são em off screen e as ameaças que se materializam desaparecem do campo de visão dos personagens desobedecendo qualquer lógica. Eis mais um filme a figurar com facilidade em uma lista de piores do ano.

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