Resenha Crítica | Unicórnio (2017)

Unicórnio, de Eduardo Nunes

Roteirista de “Árido Movie” e editor de “Cafuné” (ambos de 2005), o carioca Eduardo Nunes enveredou pela direção de ficção em 2011 com “Sudoeste” já propiciando um estilo particular que certamente seria mantido com a eventualidade de novos trabalhos. Pois muitas semelhanças há entre o seu debut e “Unicórnio”, drama de difícil digestão que tentará com as estratégias de lançamento da Sessão Vitrine Petrobras encontrar o seu público.

Aqui, é confirmada a atração de Nunes pela criação de universos quase imaginários, em que o tempo é estabelecido por uma lógica praticamente fantasiosa. Em “Sudoeste”, há uma existência humana com um ciclo iniciado e acabado em um período de 24 horas. Em “Unicórnio”, o tédio do isolamento de uma pré-adolescente é o que constitui o que convencionalmente chamamos de narrativa.

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Entrevista com Patricia Pillar sobre “Unicórnio”:

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Estreante, Bárbara Luz interpreta Maria, acompanhada em dois contextos diferentes. No primeiro, ela vive com a sua mãe (Patricia Pillar, em seu primeiro papel no cinema após um hiato de 10 anos) no campo se distraindo com os afazeres domésticos e caminhando a esmo pelos arredores, tendo como local favorito a sua árvore de frutos venenosos. O outro cenário é um quarto do que parece ser uma clínica psiquiátrica em que divide um banco com o seu pai (Zécarlos Machado).

Outra vez tendo o diretor de fotografia Mauro Pinheiro Jr. como o seu braço direito, Nunes usa o formato de tela 3,66:1, em que a horizontalidade do plano desafia inclusive as extremidades do cinemascope e que renega a janela típica das imagens que se forjam como pinturas vivas. Definitivamente deslumbrante, inclusive pela paisagem diurna montanhosa parecer ser colorida com tinta óleo.

Lamentavelmente, esse apelo estético não encontra correspondência com a história que se pretende contar. Mesmo que o roteiro se aproprie livremente de dois contos de Hilda Hilst, “O Unicórnio” e “Matamoros”, o estofo aqui comportaria não mais que um curta-metragem. Do jeito que nos é apresentado, temos o típico caso de belo papel de presente para o embrulho de algo oco, sensação que Bárbara Luz ainda enfatiza com uma interpretação aborrecida, nada cativante.

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Entrevista com diretor Eduardo Nunes e o ator Lee Taylor sobre “Unicórnio”:

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