Resenha Crítica | Meu Tio e o Joelho de Porco (2017)

Meu Tio e o Joelho de Porco, de Rafael Terpins

No trailer de “Meu Tio e o Joelho de Porco”, a sentença “o primeiro documentário brasileiro sem depoimentos do Caetano Veloso” é apresentada em seus segundos finais. Nada mais que uma brincadeira, mas evidencia um vício em nosso cinema: o do enaltecimento das figuras do tropicalismo em detrimento de outros movimentos, artistas e grupos brasileiros.

Com grande fatia de seu currículo composto por créditos na concepção da abertura de filmes como “Chega de Saudade”, “As Melhores Coisas do Mundo” e “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro“, Rafael Terpins dá agora uma contribuição para remar contra essa predileção contando para velhas e novas gerações a história do Joelho de Porco. Fundado em 1972, o grupo paulistano foi um importante expoente do rock, com composições que flertavam com o punk, o psicodélico e mesmo o cômico.

Há, no entanto, um elo afetivo aqui, pois Rafael é sobrinho do líder do Joelho de Porco Carlos Alberto Terpins, conhecido como Tico e falecido em 1998 em decorrência de um enfarte. Assim, há todo um resgate costurado por arquivos pessoais e depoimentos de velhos conhecidos de Tico, que relembram o caráter subversivo do conjunto.

Há momentos saborosos aqui. Os melhores ficam por conta do produtor artístico Julio Calasso, que conversa para a câmera com todas aqueles imprevisibilidades que surgem quando se filma nas ruas de São Paulo. Também dão as caras Próspero Albanese (vocal e baterista), Rodolfo Ayres Braga (baixo e vocal) e Ricardo Petraglia (que participou da formação mais recente) – também com passagem no Joelho de Porco, Billy Bond tem o seu rosto borrado nas imagens em detrimento do conflito que teve com Tico.

O relação familiar talvez omita outros pontos menos lisonjeiros da biografia de Tico, fazendo com que prevaleça o tom de tributo à sua figura. Tal direcionamento faz Rafael assumir escolhas que colaboram para o documentário assumir um formato menos tradicional e, por isso mesmo, bem-vindo, como se vê em suas interações com um Tico reencarnado em um boneco animado em stop motion.

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+ Entrevista com Rafael Terpins, diretor do documentário “Meu Tio e o Joelho de Porco”

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