Resenha Crítica | Carnívoras (2018)

Carnivores, de Jérémie & Yannick Renier

.:: Festival Varilux de Cinema Francês 2018 ::.

Respectivamente com 43 e 37 anos, os irmãos belgas Jérémie e Yannick Renier são artistas bem reconhecidos e respeitados na França, o primeiro como o favorito de cineastas como François Ozon e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne e o segundo por uma atuação muito mais forte no teatro do que no cinema.

Com essas credenciais somadas à boa sintonia apresentada ao contracenarem juntos como irmãos em conflito em “Propriedade Privada” (2006), havia boas expectativas com a estreia como diretores. Pois elas não se cumprem em “Carnívoras”. Pior: o resultado é tão insípido que nem parece que eles aprenderam muito sobre os ofícios de direção e escrita com os grandes nomes com quem trabalharam previamente.

O cinéfilo que gosta de explorar o cinema independente encontrará ainda similaridades gritantes de “Carnívoras” com “Brilho Eterno”, thriller psicológico americano lançado ano passado em streaming no Brasil. Se naquele filme havia o reencontro tempestuoso entre as duas melhores amigas interpretadas por Mackenzie Davis e Caitlin FitzGerald porque uma alçou voos mais altos que a outra na carreira como atriz, aqui quase o mesmo se dá entre as irmãs Mona (Leïla Bekhti) e Samia (Zita Hanrot).

Samia é uma atriz badaladíssima e com família construída enquanto Mona é aquela figura solitária e generosa que topa ser a sua assistente pessoal durante as gravações do novo filme de Paul Brozek (Johan Heldenbergh), um cineasta um tanto controverso e perverso com a sua equipe. Samia, já cheia de perturbações externas, não aguenta o tranco e desaparece após a sua última diária.

O maior incômodo de “Carnívoras” é a sensação de que os Renier lidam aqui com a estrutura do mistério como se não tivessem qualquer conhecimento de causa. Além de estabelecerem uma estética sem identidade (veja o take da banheira com água azulada, por exemplo), os 98 minutos da duração soam intermináveis porque se deduz com uma distância enorme exatamente como tudo se desdobrará. Desta vez, a brincadeira de duplos não passa de uma bobagem.

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