Resenha Crítica | O Homem Perfeito (2018)

O Homem Perfeito, de Marcus Baldini

Com o avanço do feminismo, o homem está reaprendendo a desempenhar o seu papel em inúmeros contextos, com isso se desnudando de velhos vícios principalmente na abordagem com as mulheres, seja do mero flerte até dentro da estabilidade de um relacionamento. Ao batizar a sua obra como “O Homem Perfeito”, Marcus Baldini já antecipa que ambos os gêneros deverão refletir sobre essa questão em meio aos risos que promove.

Afastada do cinema há quase quatro anos, Luana Piovani encontra no papel de Diana Prado a sua primeira chance em um modelo de protagonista em que todos os dilemas e contradições estão nela centralizados. É ela quem pavimenta os desdobramentos da história a partir de uma ação bem planejada e questionável.

Trata-se o de criar uma identidade virtual daquilo que compreende como um homem perfeito. Diana o faz com toda a criatividade de uma ghost writer e a intenção é perturbar o relacionamento assumido pelo seu ex-marido Rodrigo (Marco Luque) com a bailarina de 23 anos Mel (Juliana Paiva). Explica-se: inconformada com a felicidade alheia, Diana quer testar se Rodrigo é mesmo um homem de qualidades iludindo Mel com um perfil no Facebook de um homem bem-sucedido em todos os quesitos, do profissional ao estético.

Mesmo sem a assinatura no roteiro, Baldini assume “O Casamento do Meu Melhor Amigo” como a sua principal influência, pois aqui também lida com uma mulher que tarda a se reconhecer como a vilã da história. O diferencial é trazer essa premissa para o tempo moderno no qual vivemos, em que o comportamento humano foi modificado com o advento de vidas virtuais diferentes daquela que sustentamos na realidade.

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Coletiva de imprensa de “O Homem Ideal” com a presença de Luana Piovani

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Luana é uma ótima atriz e dá conta com muita facilidade da complexidade de Diana, que vai recebendo novas camadas especialmente pelo modo como enfrenta Caique (Sergio Guizé), um músico presunçoso e o cliente que a contrata para escrever a sua autobiografia. Mas a graça mesmo está contida justamente nas trocas de mensagens instantâneas entre o fake criado por Diana e Mel, encenadas de modo bem crível e visualmente interativo por Baldini.

Uma pena que a questão que levanta sobre comportamentos emperra “O Homem Perfeito” nos quesitos morais. Mesmo que Diana se manifeste duas ou três vezes diante de contextos machistas, o texto se desdobra justamente para esse fim quando as consequências começam a se desenhar. O comportamento da personagem de Juliana Paiva ao clímax é, por sinal, um dos mais vergonhosos já vistos na comédia romântica recente.

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