Resenha Crítica | Venom (2018)

Venom, de Ruben Fleischer

Venom é um nome que Sam Raimi definitivamente não quer ouvir outra vez em sua carreira. Um dos grandes responsáveis por transformar as adaptações de histórias em quadrinhos no que é hoje o subgênero mais lucrativo do cinema, o cineasta desenvolvia uma franquia do Homem-Aranha até chegar a um terceiro capítulo em que foi obrigado pelo estúdio a inserir o vilão como uma das figuras centrais de sua história.

A tragédia artística fez o herói aracnídeo ser remodelado duas vezes, até então sem a presença do simbionte alienígena. Pois chegou a nova chance de emplacar o personagem no cinema em uma aventura solo em que ele é mais tratado como um anti-herói do que um inimigo no conceito mais tradicional da palavra.

Promessa revelada em “Zumbilândia” e que não se cumpriu posteriormente com “30 Minutos ou Menos” e “Caça aos Gângsteres”, o americano Ruben Fleischer é incumbido de fincar as raízes de Venom com a associação da Marvel Studios. As expectativas negativas, geradas principalmente com um material promocional pouco entusiasmador, se efetivam.

Eddie Brock (Tom Hardy) é um repórter outsider, desses que buscam pela polêmica da vez para escancarar em uma câmera. Cai em desgraça após pegar sem a autorização de sua namorada advogada Anne Weying (Michelle Williams) uma pista confidencial de que Carlton Drake (Riz Ahmed), representante da Life Foundation, estaria autorizando a realização de experimentos controversos.

Quando a cientista Dora Skirth (Jenny Slate) afirma a Eddie que há uso de indigentes como cobaias, ele decide por conta coletar provas que desmascarem Carlton. Dá que invade o laboratório em que está Venom, que encontra nele o hospedeiro perfeito para circular livremente entre nós.

Se no ano passado tivemos em “Logan” a adoção de uma brutalidade finalmente condizente com a essência de seu protagonista, em “Venom” os envolvidos decidiram trai-lo impondo um entretenimento com censura PG-13, o equivalente a nossa classificação indicativa de 14 anos. É tudo extremamente bobo e ingênuo, com cabeças sendo devoradas no tom mais cartunesco possível e sem espichar uma gota de sangue.

O cerne da questão, porém, vai além de uma condução mais branda das coisas. Criatura de inegável impacto estético, o Venom contemplado é um borrão digital grosseiro, principalmente em sequências de ação atrozes no descuido visual e falta de imaginação.

Se no movimento “Venom” é esse aborrecimento todo, o texto criado por Jeff Pinkner, Kelly Marcel e Scott Rosenberg é ainda pior. Tudo é extremamente apressado, do prólogo digno de ficção científica classe B ao desenvolvimento de personagens, com os intérpretes nada mais podendo fazer do que abraçar a caricatura – quatro vezes indicada ao Oscar, Michelle Williams está aqui claramente para apenas pagar os boletos.

O que não se pode negar é a devoção de Tom Hardy ao papel. Ator inglês um tanto inexpressivo que sempre se sai exemplar em papéis introspectivos, como o Bob de “A Entrega”, o Hardy de “Venom” parece chapado em quase todas as suas cenas, correspondendo tão bem ao tom bipolar involuntário do roteiro que chega a ser até comovente, como se vê quando devora crustáceos no aquário de um restaurante e em outras situações embaraçosas.

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