Resenha Crítica | Buscando… (2018)

Searching, de Aneesh Chaganty

O russo Timur Bekmambetov pode até estar desacreditado como diretor após os fiascos de “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” e “Ben-Hur“. O que não se pode negar é uma contribuição importante que vem exercendo como produtor. Curioso pelo uso de novas tecnologias dentro da linguagem cinematográfica, tem desde “Apollo 18: A Missão Proibida” – e com maior intensidade em “Amizade Desfeita” – explorado como suporte as câmeras digitais compactas e as telas de computadores e dispositivos móveis.

Em “Buscando…”, a tela do laptop de David Kin (John Cho) é a perspectiva que será adotada para a construção de toda a história criada por Aneesh Chaganty, realizador de apenas 27 anos de ascendência indígena em seu primeiro longa-metragem. Não somente as trocas de mensagens instantâneas e as chamadas de vídeo costuram a narrativa, como também o que é visto em redes sociais, sites de busca e arquivos pessoais.

Após um dia todo sem receber mensagens de sua filha Margot (Michelle La), David passa a vasculhar os seus rastros virtuais para tentar identificar para onde ela foi. Vai dormir acreditando que está acampando com um amigo da escola. Quando o próprio confirma no dia seguinte que não está com a companhia dela, David inicia os procedimentos para dá-la como desaparecida e assim contar com a investigação policial. Excelente em um papel em que estamos pouco habituadas a vê-la, Debra Messing interpreta a detetive que se prontifica a ajudá-lo na busca por Margot.

Aneesh Chaganty compreende perfeitamente o universo que está explorando e discute sobre a outra vida que cada um de nós encena no “plano virtual” sendo totalmente fiel ao modo como usamos os mecanismos que hoje fazem parte do nosso cotidiano. Talvez o limite seja o de forçar que o seu protagonista esteja 100% leal a eles, fazendo com que os eventos de “Buscando…” sejam totalmente reféns do formato trabalhado – “Amizade Desfeita” o fez de modo mais orgânico.

Diante de tudo isso, é curioso constatar como o desaparecimento de Margot é usado mais como um motor para “Buscando…” tecer comentários sobre as máscaras e julgamentos que sustentamos com a proteção do distanciamento da realidade do que o de propor um mistério qualquer. Bekmambetov investiu em um filão barato e com grande potencial de lucro que terá uma fase duradoura no cinema contemporâneo.

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