Resenha Crítica | Legalize Já: Amizade Nunca Morre (2017)

Legalize Já: Amizade Nunca Morre, de Gustavo Bonafé e Johnny Araújo

Os anos 1990 foram muito favoráveis para a música no geral. Foi o período em que o rádio era o meio central para a propagação de músicas e a MTV vinha como a emissora que consolidava a linguagem dos clipes musicais. Nesse cenário, estourou o grupo carioca de rap rock “Planet Hemp”, apresentando uma musicalidade que conquistou por trazer como pautas questões ainda hoje controversas, como os abismos sociais e o consumo de maconha.

Como toda banda boa que se preze, há todo um histórico de superações antes de um estouro midiático e com o “Planet Hemp” não poderia ser diferente. O acerto de “Legalize Já: Amizade Nunca Morre” é justamente o de focar principalmente os passos de Marcelo D2 e Skunk quando ainda eram anônimos que formaram uma parceria nos intervalos de seus entraves pessoais.

Antes de se apresentar como Marcelo D2, Marcelo Maldonado Peixoto (Renato Góes) precisou encontrar o seu rumo quando foi expulso de casa pelo seu pai (Stepan Nercessian), fruto de uma educação qual uma cria precisa sair de seu ninho cedo para conquistar a sua independência. A questão é que esse episódio veio de encontro com a notícia de que a sua namorada, Sônia (Marina Provenzzano), estava grávida.

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Coletiva de imprensa com a equipe de “Legalize Já! Amizade Nunca Morre”

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Marcelo precisou se virar como vendedor de itens domésticos de dia e de camisas à noite para pagar o aluguel de um apartamento barato paralelo a parceria que estabeleceu com Skunk (Ícaro Silva), talentoso compositor que encontrou nele a voz perfeita para elaborar canções que contrapunhavam o sistema vigente. Também teve o seu inferno astral em decorrência da AIDS que contraiu em um momento em que os tratamentos ainda eram deficientes.

A dupla Gustavo Bonafé e Johnny Araújo é envolvida com música desde cedo e ano passado tocou com relativo sucesso a comédia “Chocante“, uma espécie de ode as boy bands que explodiram nos anos 1980. Em “Legalize Já: Amizade Nunca Morre”, os sucessos do “Planet Hemp” são relembrados na gênese, mas com o cuidado de sintonizar cada uma de suas sentenças a um contexto cinza em que a ambição pelo sucesso não sufoca o fim trágico que permeou a amizade de Marcelo e Skunk.

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