Resenha Crítica | Culpa (2018)

Den skyldige, de Gustav Möller

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Para uma estreia na ficção em longa-metragem não falado em inglês, o cineasta Gustav Möller tem sustentado um prestígio com “Culpa” surpreendente. Duradouros, os elogios e debates conquistados e possíveis com a sua obra acontecem desde que debutou no último Festival de Sundance, realizado em janeiro deste ano.

Agora um dos mais populares da programação da 42ª edição da Mostra e em exibição no circuito americano (no Brasil, o lançamento é esperado para 20 de dezembro), “Culpa” é ainda um forte concorrente ao Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro como representante da Dinamarca. Não à toa: o exercício de imaginação que promove é ainda mais eficaz que o de “Buscando…“, somente para citar outro exemplar recente que encontra no confinamento o seu fio condutor.

O policial Asger Holm (o notável Jakob Cedergren, de “Tristeza e Alegria“) foi rebaixado temporariamente ao posto de receptor das chamadas de emergência. O motivo é uma questão a princípio não elucidada que terá de resolver nos tribunais.

O plantão que assume e no qual todo o filme transcorrerá antecede a sua apresentação à justiça para o seu depoimento. Decide ir além do expediente ao receber a ligação de uma mulher chamada Iben (voz de Jessica Dinnage) que se diz sequestrada pelo ex-marido após um episódio de agressão em frente aos dois filhos. O empenho de Asger em tentar conduzir as coisas para a melhor resolução possível se dá com aquele afinco de alguém que busca por uma redenção.

Somente dois ambientes são explorados no departamento policial. Os únicos elementos externos são justamente as vozes com as quais o protagonista se comunica. Também não há nenhum flashback ou qualquer outra artimanha para preencher as lacunas do roteiro, algumas das quais preenchemos por conta própria.

É um trabalho complexo de direção, pois depende como nunca da força de seu ator principal, da relação da câmera com espaços limitados e especialmente o que evoca a partir do brilhante trabalho de edição de som a cargo de Philip Nicolai Flindt. Por tudo isso, talvez o impacto daquilo que é confirmado verbalmente não esteja no mesmo nível daquilo que experimentamos no processo de deduções, tornando o ato final de “Culpa” inferior aos que o antecedem.

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