Resenha Crítica | O Mau Exemplo de Cameron Post (2018)

The Miseducation of Cameron Post, de Desiree Akhavan

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Dirigido por Joel Edgerton, “Boy Erased: Uma Verdade Anulada” fez grande burburinho nos festivais de Telluride e Toronto e chega em breve aos cinemas americanos com o potencial de performar com destaque na temporada de premiações. Mas um pouco antes, surgiu outro filme a tratar da privação em um ambiente religioso como um método de cura gay. Essa obra é “O Mau Exemplo de Cameron Post”, que saiu de Sundance com o prêmio principal do público.

A história, baseada em um romance de Emily M. Danforth, é ambientada em 1993, mas afora alguns detalhes cenográficos, ela poderia muito bem ser confundida com o contexto contemporâneo. Chloë Grace Moretz é a personagem-título, uma adolescente flagrada pelo namorado ficando com a melhor amiga dentro de um carro. O episódio íntimo chega ao conhecimento dos tios que a adotaram após se tornar órfã, colocando-a de imediato em um retiro espiritual para se livrar de seus “impulsos” homossexuais.

Coordenado por um reverendo (John Gallagher Jr.), outrora também pego em um episódio homossexual, e a sua irmã (Jennifer Ehle) formada em psicologia, o espaço contém regras muito rígidas, mas logo Cameron se enturma com Jane (Sasha Lane) e Adam (Forrest Goodluck) para juntos quebrarem algumas normas, como caminharem constantemente pela floresta com o propósito de fumar maconha e dialogar sobre questões proibidas, como o fato de que a permanência forçada no retiro por suas famílias em nada modifica as suas orientações sexuais.

Diretora com algumas vivências como atriz, Desiree Akhavan parece totalmente influenciada pelo modo como o finado John Hughes retratava uma juventude deslocada dos valores estabelecidos na sociedade, apresentada em suas histórias como desajustada. Os adolescentes de “O Mau Exemplo de Cameron Post” são fascinantes de serem acompanhados pelo caráter autêntico de suas personalidades e Akhavan inclusive obtém de Moretz, uma atriz de atributos dramáticos limitados, uma interpretação franca que definitivamente deve representar um ponto de virada em sua carreira.

“Cameron Post” é também um filme inebriado de energia, dessa presente em muitos indivíduos que são alvos de preconceito e que ainda assim não se deixam abater na demonstração do espaço que ocupam no mundo. Mas é também um retrato devastador sobre essas mesmas pessoas, que encontram na quebra de laços familiares e em uma trajetória sem rumo e sem garantias a fuga pela sobrevivência.

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