Resenha Crítica | Operação Overlord (2018)

Overlord, de Julius Avery

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Há quase 10 anos, Sam Raimi, a mente por trás de “A Morte do Demônio“, entregou com “Arraste-me Para o Inferno” aquele que talvez seja o último terror feito com recursos de um filme hollywoodiano sem qualquer medo de chutar o pau da barraca e entregar um verdadeiro entretenimento b, em que uma fartura de risos é encontrada em meio a muito sangue, tripas, ameaças do inferno e humor negro. O oposto de “Megatubarão“, sucesso mundial que parece se levar mais a sério que um drama de época de pretensões artísticas.

Digamos que “Operação Overlord” é uma bobagem posicionada no meio do caminho. Diretor de segunda viagem, Julius Avery parece não contar com o aval de seu poderoso produtor J.J. Abrams para ir às vias de fato. Por outro lado, o filme está longe de causar algum aborrecimento, assegurando envolvimento em suas quase duas horas de duração graças aos personagens e a capacidade de seus intérpretes em encarar a coisa com certo descompromisso.

A ideia do roteiro originalmente concebido por Billy Ray (indicado ao Oscar por “Capitão Phillips“) é baseada não somente na Batalha da Normandia (o famoso Dia-D), como também em um fato obscuro do Holocausto: o uso de judeus como cobaias para experimentos científicos. Os eventos, no entanto, são revirados com o propósito de produzir um horror com espírito cômico.

Após uma decolagem forçada, o soldado Boyce (Jovan Adepo, do seriado “The Leftovers”) e um pequeno time de colegas sobreviventes avançam sem uma liderança para pôr abaixo uma torre de uma vila francesa utilizada pelos nazistas como local para ordenar os seus ataques aéreos. Quando Boyce avança, descobre no edifício um subsolo cheio de prisioneiros em estágio avançado de mutação, quase como se tivessem se transformado em zumbis.

Com censura 16 anos no Brasil e R nos Estados Unidos (em que menores de 17 anos só podem ir à sessão acompanhados por maiores responsáveis), não há economia na sanguinolência. No entanto, “Operação Overlord” só funciona mesmo pelo entrosamento de figuras heróicas nada convencionais, de um protagonista que nunca usou a sua arma até Chloe, a única presença feminina do filme – por sinal, fiquem de olho em sua intérprete, Mathilde Ollivier, simplesmente um arraso em cena!

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