Resenha Crítica | Sem Amor (2018)

Unlovable, de Suzi Yoonessi

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

De modo sensual ao repulsivo, o sexo já foi retratado no cinema das mais diversas maneiras. A menos habitual delas talvez seja com uma estética quase infantil, como se uma protagonista estivesse perdida em um cenário da Hello Kitty. Pois é o que faz a diretora Suzi Yoonessi em “Sem Amor”, enchendo com muito colorido, pelúcia e corações a saga de uma viciada em sexo.

Até mesmo a personagem central interpretada por Charlene deGuzman carrega ironia em seu nome de batismo, Joy. Componente de uma trupe de um programa infantil televisivo parecido com esses feitos pela Xuxa durante a sua passagem na Globo, ela tem um relacionamento sério com um dos seus colegas de profissão boa-pinta, Ben (Paul James), mas é insaciável na cama e procura um sem número de parceiros aleatórios como se encarasse um compromisso diário.

O abismo não é somente tomar um pé na bunda de Ben e perder o emprego após uma falta: sem lembrar de absolutamente nada do que aconteceu na noite anterior, Joy acorda em uma casa em que rolou uma grande despedida de solteiro, coletando como souvenires uma série de fotos polaroid em que se vê transando com todos os caras ali presentes. A única solução que encontra é a de se enfiar em um programa de recuperação para o seu vício sexual.

Porém, o passo para a mudança é dado quando conhece nas reuniões Maddie (Melissa Leo), uma mulher recuperada de seu vício que topa a função de ser a sua guardiã, obrigando-a a se isolar no sobrado da propriedade em que vivem o seu irmão Jim (John Hawkes) e a sua vó debilitada (Ellen Geer). Por 30 dias seguidos, Joy deve negar qualquer um de seus desejos, evitando no processo o encontro com qualquer homem ou o uso de dispositivos eróticos, como vibradores.

Claro que negar a presença de Jim é impossível para Joy e “Sem Amor” passa assim a se concentrar na relação entre essas duas figuras solitárias e incompatíveis com o propósito de se ancorar em questões como autocontrole e amadurecimento. O afinco em preservar até o fim esse tom inocente torna o filme simultaneamente tolo e gracioso, assegurando um resultado final positivo graças à Charlene deGuzman e John Hawkes, aqui exercendo com plenitude o seu talento como músico.

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