Resenha Crítica | A Favorita (2018)

The Favourite, de Yorgos Lanthimos

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Ao contrário de muitos colegas que despontaram a partir de obras de forte impacto em seus respectivos países, Yorgos Lanthimos encontrou na língua inglesa não um impedimento para expressar com limites as suas provocações, mas sim uma possibilidade de conquistar maior alcance. “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” resultaram ainda mais notáveis que “Dente Canino” e “Alpes”.
 
Desinformados podem embarcar em seu novo “A Favorita” aguardando por algo convencional na cobertura dos bastidores palaciais durante o reinado da Ana da Grã-Bretanha (Olivia Colman) no início do século XVIII. As consequências do seu envolvimento com a Guerra da Sucessão Espanhola, como os atritos com a França, são devidamente apropriados, mas com uma abordagem inusitada.
 
A começar pelas opções estéticas defendidas por Lanthimos e o seu diretor de fotografia Robbie Ryan, o braço direito de Andrea Arnold (“Docinho da América”, “O Morro dos Ventos Uivantes“). Closes em grande angular e planos dos ambientes com olho de peixe criam uma distorção que nunca se viu em uma produção de época, esta sempre conduzida com um rigor específico.
 
Se à época Luís XIV contraíra uma gangrena que o levou à morte em 1715, Ana foi acometida por uma gota que a deixou tremendamente vulnerável. Por isso mesmo, é fácil se concentrar na ficção em um contexto mais íntimo, no qual Lady Sarah (Rachel Weisz) exerce como amiga grande influência nas escolhas da rainha.
 
Isso até se aproximar Abigail (Emma Stone), prima distante e esquecida de Sarah aprovada para atuar como uma mera serviçal. A jovem ambiciosa logo arma um jogo de aparências para ocupar a posição de Sarah e assim ascender socialmente.
 
Embora nada convencional e divertido na medida do possível, “A Favorita” perde com a ausência do nome de Yorgos Lanthimos nos créditos do roteiro assinado por Deborah Davi e Tony McNamara. Fica a sensação de que a interferência do grego no texto, que é cheio de um coloquialismo quase anacrônico, elevaria o filme em seu sarcasmo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s