Resenha Crítica | Intimidade Entre Estranhos (2018)

Intimidade Entre Estranhos, de José Alvarenga Jr.

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

José Alvarenga Jr. havia sinalizado com “Divã“, uma adaptação honesta do texto da cronista Martha Medeiros, um desejo de inclinação por um material diferente das comédias com as quais fez a sua carreira. Não deu muito certo quando finalmente saiu de sua zona de conforto com o drama “10 Segundos para Vencer“, recentemente exibido nos cinemas.
 
Melhor sorte tem com ˜Intimidade Entre Estranhos”, que rodou sem qualquer alarde no ano passado e que pretende lançar comercialmente em dezembro deste ano. Também não poderia ser diferente dentro da dinâmica de projeto independente em que desejou se lançar, trazendo rostos pouco populares diante do grande público em papéis centrais.
 
Encarnando com muita propriedade a sua primeira protagonista no cinema, Rafaela Mandelli interpreta Maria, que parte para o Rio de Janeiro para passar mais tempo ao lado de seu marido Pedro (Milhem Cortaz), um quarentão que segue insistindo na carreira de ator atualmente no elenco de uma produção religiosa – há uma pegadinha, pois o onipresente Cortaz está em “A Terra Prometida”, da Record.
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Entrevista com o diretor José Alvarenga Jr. e os atores Rafaela Mandelli e Gabriel Contente sobre “Intimidade Entre Estranhos”:

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Deixada de segundo plano, Maria acaba aplacando o tédio buscando amizade com Horácio (o estreante no cinema Gabriel Contente). Se a princípio não se bicava com o adolescente, que vem a ser o único vizinho e também proprietário do edifício que habita, ela acaba encontrando sintonia com alguém que compartilha dores íntimas compatíveis com aquelas que ainda não superou, como o sentimento de que não é correspondida à altura no relacionamento e a perda precoce de seu pai.
 
Sem as pressões de atender ao formato convencional de uma cinebiografia como “10 Segundos para Vencer”, Alvarenga Jr. encontra aqui maior tranquilidade para dar a sua identidade ao texto da autoria de Matheus Souza, de “Ana e Vitória. Mesmo exagerando um pouquinho na metragem (o filme quase encosta nas duas horas), o seu “Intimidade Entre Estranhos” avalia os choques de gerações entre os protagonistas sem afetações e com uma densidade que nunca resvala para o melodrama.

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