Resenha Crítica | O Estranho Que Nós Amamos (2017)

The Beguiled, de Sofia Coppola

Desde a exibição no último Festival de Cannes, a imprensa tem propagado que “O Estranho que Nós Amamos” de Sofia Coppola é uma resposta feminina e feminista para a versão aparentemente machista do original dirigido por Don Siegel em 1971. Comparado os filmes, ambos adaptados do romance de Thomas Cullinan (até hoje não traduzido no Brasil), a afirmação parece não encontrar respaldo, sendo somente um caso de uma mesma história que recebe tons distintos pelas personalidades distintas de seus realizadores.

No vídeo a seguir, dou destaque para a versão atualmente em cartaz nos cinemas, mas também reservo uma parte para descrever o impacto ainda causado pelo clássico que traz Clint Eastwood como John McBurney, soldado inimigo resgatado por um grupo de mulheres abandonadas à própria sorte em plena Guerra Civil.

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Yves Saint Laurent (2014) Vs. Saint Laurent (2014)

Yves Saint Laurent  Vs. Saint Laurent

Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert
Saint Laurent, de Bertrand Bonello

Vítima de um câncer cerebral, o notável estilista Yves Saint Laurent deixou como herança não somente um império que revolucionou a moda, como também um histórico de vida cheio de capítulos polêmicos. Embora tenha morrido em 2008 aos 71 anos, seis anos se passaram até que Yves Saint Laurent se transformasse em um personagem de interesse para o cinema, que no ano passado o homenageou com duas produções: “Yves Saint Laurent”, de Jalil Lespert, e “Saint Laurent”, de Bertrand Bonello.

É verdade que o estilista tinha recebido em 2010 um documentário pelas mãos de Pierre Thoretton, “O Louco Amor de Yves Saint Laurent”. Entretanto, é a ficção que costuma garantir um registro com um alcance mais amplo. Ambos os filmes foram rodados quase simultaneamente, mas Jalil Lespert tomou a dianteira ao lançar “Yves Saint Laurent” antes de “Saint Laurent”. O que determinou a vitória de Lespert nesta disputa foi o fato de Bonello fazer uma cinebiografia não autorizada, o que rendeu uma produção conturbada com as constantes ameaças de processo emitidas por Pierre Bergé, o braço direito de Yves Saint Laurent nos negócios e com quem teve um caso amoroso.

Yves Saint LaurentPor falar em Pierre Bergé, Lespert também contou com o privilégio de trazer para a sua produção as versões verdadeiras dos figurinos assinados por Yves Saint Laurent, o que trouxe apuros para Anaïs Romand, que teve que desenhar para “Saint Laurent” peças que fizessem jus à opulência das coleções que marcaram a alta-costura. A vantagem é evidente na tela, pois “Yves Saint Laurent” mergulha com mais intensidade neste universo dos desfiles de moda e o processo trabalhoso de concepção de roupas sofisticadas, algo que “Saint Laurent” só dá uma pincelada em seu primeiro ato.

Os “concorrentes” também surpreendem ao darem perspectivas distintas sobre o mesmo personagem. No filme de Jalil Lespert, o pecado está ao trazer uma narrativa basicamente episódica como um modo de flagrar todas as facetas do estilista, ficando clara a instabilidade entre as cenas que trazem um Yves Saint Laurent com personalidades destoantes. Bertrand Bonello, que tem a seu favor o tempo (150 minutos) e a experiência por trás das câmeras em bons títulos como “O Pornógrafo” e “L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância”, também não promove muito interesse na construção do protagonista, carregando “Saint Laurent” de vícios que só dispersam o espectador, como o ponto da cena sempre demorando a se revelar.

Em termos de elenco, “Yves Saint Laurent” outra vez se mostra superior a “Saint Laurent”. Ainda que a estrutura comprometa a evolução do personagem, Pierre Niney faz um trabalho delicado, iniciando o filme com uma inibição que sugere as perturbações ainda provocadas por uma juventude não relatada como deveria (Saint Laurent passou um período em um sanatório após uma vivência traumática no exército francês) e passando para as fases posteriores com a liberdade vinda com a descoberta de sua verdadeira identidade e do sucesso como estilista. Ainda melhor é Guillaume Gallienne na pele de Pierre Bergé, se livrando de todas as amarras e afetações testemunhadas no terrível “Eu, Mamãe e os Meninos”.

Saint LaurentEm “Saint Laurent”, o refinamento do elenco não foi aproveitado na encenação. As participações especiais de Valeria Bruni Tedeschi e Brady Corbet não provocam uma forte impressão e os excelentes Léa Seydoux e Jérémie Renier, aqui responsável por dar vida a Bergé, são mal aproveitados. E se não bastasse Louis Garrel mais uma vez interpretar Louis Garrel, Gaspard Ulliel escorrega ao quase caricaturar Yves Saint Laurent. As belas feições do ator contemplam uma inconveniente cicatriz no rosto, na altura da bochecha esquerda, o que faz com que algumas expressões se assemelhem a caretas dignas de um sociopata.

No fim das contas, podemos dizer que as duas tentativas não foram suficientes para dar a Yves Saint Laurent o filme que ele merece. Na comparação, “Yves Saint Laurent” é o melhor, mas o seu resultado final é apenas razoável por fazer um desenho incompleto do estilista. Já “Saint Laurent” foi lançado com a promessa de mostrar uma versão sem censura dessa figura real. O que se vê é algo similar a um banho de água fria, uma vez que as expectativas criadas pelo material promocional não são cumpridas. Bertrand Bonello prometeu carícias, luxúria e entrega aos instintos mais ardentes e o que oferece é uma sexualidade insípida que configura “Saint Laurent” como um ponto baixo em sua carreira.

Espelho, Espelho Meu Vs. Branca de Neve e o Caçador

Espelho, Espelho Meu Vs. Branca de Neve e o CaçadorHoje em dia tem sido fácil se deparar com duas produções que lidam com uma temática quase idêntica. Assim que caiu em domínio público, o livro “A Guerra dos Botões” recebeu duas novas versões cinematográficas produzidas no mesmo ano na França – uma delas foi dirigida por Yann Samuell e já ganhou comentário aqui. Outro caso é o que envolve o diretor Alfred Hitchcock, que recebeu duas homenagens no ano passado. No cinema, Hitch foi incorporado por Anthony Hopkins em “Hitchcock“, produção que nos revela os bastidores de “Psicose”. Já a HBO contratou Toby Jones para vivê-lo em “The Girl”, telefilme em que é dissecado o tumultuado relacionamento profissional entre Hitch e sua última musa loura, Tippi Hedren, nas filmagens de “Os Pássaros” e “Marnie – Confissões de Uma Ladra”.

Hoje faremos uma rápida análise sobre “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”. Separados por um intervalo de aproximadamente dois meses, as duas produções receberam lançamento no primeiro semestre do ano passado e apresentam tons distintos para o conto da Branca de Neve. Enquanto o público-alvo do filme de Tarsem Singh é o infantil, o estreante Rupert Sanders está interessado em chamar a atenção dos adolescentes. Confira a seguir quem é o melhor nesta edição do Filme Vs. Filme.

Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror)Cineasta indiano, Tarsem Singh despontou como um artista capaz de criar imagens poderosas com o clipe “Loosing My Religion”, da banda “REM”. Desde então, realizou quatro longas-metragens em que buscou preservar esta qualidade. Seu último trabalho é “Espelho, Espelho Meu”, em que atualiza livremente a famosa história dos irmãos Grimm cuja versão cinematográfica mais famosa é a clássica e insuperável animação da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”. Sua intenção é comandar uma produção também direcionada ao público infantil e o resultado é satisfatório. Algumas cenas em que há um tom cartunesco não funcionam, como aquela em que o serviçal interpretado por Nathan Lane é transformado em uma barata como castigo imposto pela Rainha Má de Julia Roberts. Aliás, a estrela, que há anos estava devendo uma boa aparição na telona, está bem à vontade incorporando a vilã, representando uma das melhores qualidades de “Espelho, Espelho Meu”. Além de Julia Roberts, Lily Collins (como Branca de Neve), Armie Hammer (como o Príncipe) e o septeto de intérpretes anões comprovam a acertada escalação para formar o elenco da fantasia. Além do visual, é impossível não se deslumbrar com os figurinos da japonesa Eiko Ishioka, cujo último trabalho antes de morrer confere exageros e fortes tonalidades que casam com perfeição com o universo de Branca de Neve.

Título Original: Mirror, Mirror
Ano de Produção: 2012
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller e Marc Klein
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Sean Bean, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Robert Emms, Martin Klebba, Danny Woodburn, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Jordan Prentice, Sebastian Saraceno, Ronald Lee Clark, Chantal Hunt, Jason Cavalier e Kimberly-Sue Murray

Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman)A pulada de cerca entre o diretor Rupert Sanders e a protagonista Kristen Stewart fora dos bastidores repercutiu muito mais que a versão gótica do conto de “Branca de Neve e os Sete Anões” realizada pela dupla. Fuxicos à parte, “Branca de Neve e o Caçador” surge com a intenção de se transformar em uma franquia, mas o pontapé inicial não é muito promissor. A maior expectativa aqui era acompanhar a história pela perspectiva de Ravenna, a madrasta má encarada com o talento e beleza usuais de Charlize Theron. Quando a Branca de Neve de Kristen Stewart sai da posição de coadjuvante, “Branca de Neve e o Caçador” caminha em duas direções. A primeira é preservar o conto original e a segunda acrescenta novos elementos (o que inclui a entrada do Caçador de Chris “Thor” Hemsworth) que configurarão em uma resolução diferente do esperado. Mesmo que tenha feito mais sucesso que “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” é inferior em termos de entretenimento. O trabalho técnico é impecável (grandes atores como Bob Hoskins e Eddie Marsan surgem aqui diminutos como os anões que se aliam a Branca de Neve), mas Kristen Stewart é um erro para viver a jovem heroína. Não se trata apenas por ser apontada como mais bela Ravenna (definitivamente ela não é), mas de convencer como uma guerreira. É difícil acreditar na bravura de Branca de Neve quando a história nos quer fazer crer de que ela pode  brandir espada e escudo sem qualquer treinamento prévio. Se a intenção é assistir a uma versão obscura de Branca de Neve, é melhor procurar por “Floresta Negra”, ótima produção televisiva com Sigourney Weaver e Sam Neill.

Título Original: Snow White and the Huntsman
Ano de Produção: 2012
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Bob Hoskins, Eddie Marsan, Lily Cole, Vincent Regan, Johnny Harris, Dave Legeno, Rachael Stirling, Jamie Blackley, Noah Huntley, Joey Ansah, Brian Gleeson, Sam Spruell e Craig Garner

Gosto de Sangue Vs. Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão

Com exceção de serem diretores de grande prestígio, os americanos Joel e Ethan Coel e o chinês Zhang Yimou não têm absolutamente nada em comum. Afinal, os interesses em foco nas realizações desses cineastas pertencem a universos distintos. Talvez por isso a comparação entre duas obras que apresentam o único elo entre eles seja o que há de mais divertido. Pois os títulos são “Gosto de Sangue” e “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão”. E não é que mesmo tudo sendo diferente o resultado ainda assim é muito parecido? Vamos conhecer as razões agora.

GOSTO DE SANGUE – 1984

Primeiro filme dirigido por Joel Coen (Ethan Coen não é creditado na direção), “Gosto de Sangue” é uma obra de importância histórica no cinema americano, pois trata-se de um dos principais títulos independentes da década de 1980 do subgênero neo noir. Ganhando circuito limitado no início de 1985, “Gosto de Sangue” teve uma versão do diretor lançada em 2000 contando com aproximadamente três minutos a menos. Segundo os próprios irmãos, nela há uma edição mais precisa, combinando cenas com registros mais detalhados com outras onde há maior ação com muito mais equilíbrio. A trama se passa no Texas e acompanha um triângulo amoroso. Marty (Dan Hedaya) é dono de um bar e desconfia que seu funcionário, Ray (John Getz), esteja tendo um caso com sua esposa Abby (Frances McDormand). Após o flagra, Marty paga o detetive particular Loren (M. Emmet Walsh, perfeito) para matá-los. As reviravoltas aparecem assim que Loren cria falsas evidências que comprovam que o seu serviço sujo foi realizado. A meia hora final é preenchida com muito sangue (o título original, “Blood Simple.”, é um termo que caracteriza pessoas psicologicamente afetadas após o envolvimento com situações violentas) e um humor negro que infelizmente os Coen não conseguem reproduzir com a mesma perfeição em seus títulos mais recentes.

Título Original: Blood Simple.
Ano de Produção: 1984
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: Frances McDormand, John Getz, Dan Hedaya, M. Emmet Walsh, Samm-Art Williams, Deborah Neumann e Holly Hunter
Cotação: 4 Stars

UMA MULHER, UMA ARMA E UMA LOJA DE MACARRÃO – 2009

O chinês Zhang Yimou tem em sua filmografia recente dois dos títulos mais caros já produzidos em sua terra natal, “A Maldição da Flor Dourada” e o ainda inédito “The Flowers of War”. Entre eles, fez “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão”, cujo baixo investimento é perceptível na economia de cenários, uso de efeitos visuais e um elenco praticamente desconhecido. Exibido no Festival de Berlim, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e no Festival do Rio, esta refilmagem de “Gosto de Sangue” deixou grande parte do público com alguns pontos de interrogação na cabeça. A história é ambientada numa época não determinada, onde Wang (Ni Dahong) é dono de uma famosa loja de macarrão. Aqui há também um adultério que desencadeia consequências graves, pois Wang desconfia que a própria esposa (Yan Ni) mantém um relacionamento com Li (Shen-Yang Xiao), o seu empregado banana. O estranhamento que muitos tiveram com esta realização de Zhang Yimou foi em substituir o clima noir de “Gosto de Sangue” por um humor quase pastelão, havendo personagens estereotipados e gags visuais, a exemplo da cena de abertura. O único senão é a ausência quase total da habilidade do cineasta em criar sequências com apuro técnico arrebatador. Com exceção do antológico momento onde vemos parte dos personagens centrais preparando uma massa de macarrão, não há muito que fique na memória. Com isto, mesmo que “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão” seja fiel, “Gosto de Sangue” segue como a melhor versão do argumento.

Título Original: San qiang pai an jing qi
Ano de Produção: 2009
Direção: Zhang Yimou
Roteiro: Shi Jianquan e Shang Jing
Elenco: Sun Honglei, Shen-Yang Xiao, Yan Ni, Ni Dahong, Cheng Ye, Mao Mao e Zhao Benshan
Cotação: 3 Stars

Cartazes americanos de "Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão" e "Gosto de Sangue": similaridades até no design.

Assassino a Preço Fixo (1972) Vs. Assassino a Preço Fixo (2011)

No passado, muitas pessoas pegaram os tempos áureos da programação da tevê aberta. Afinal, ao contrário da acessibilidade que a tecnologia atualmente oferece, a telinha era o meio de transmissão mais popular. Por isso, é normal muitas pessoas apontarem que há clima de sessão da tarde em fantasias, comédias e aventuras nostálgicas. Já a maioria das fitas de ação era exibida no Domingo Maior. E no programa, Charles Bronson se consolidou como “muso”. Basta confirmar isto com o seu pai ou simplesmente ter mais de trinta anos e uma boa bagagem cinematográfica. Não há dúvidas que Charles Bronson sempre foi uma porta interpretando, mas não é absurdo o afeto que muitos fãs têm por este americano que partiu em 2003 deixando como herança um currículo que soma mais de cento e cinquenta trabalhos no cinema e na tevê. Guardadas as devidas proporções, podemos dizer que o britânico Jason Statham é o Charles Bronson da nova geração, um brucutu simpático que dá sangue em produções cheias de adrenalina. Algumas muito legais, como a franquia “Carga Explosiva” e “Efeito Dominó”. Outras bem medíocres, como “Assassino a Preço Fixo”, produção que será comparada a seguir com sua versão original, protagonizada em 1972 por ninguém menos que Charles Bronson.

ASSASSINO A PREÇO FIXO – 1972

Mais ativo como produtor do que como cineasta, Irwin Winkler (“A Rede”, “De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter”) apoiou muitos dramas esportivos (venceu o Oscar por “Rocky – Um Lutador”) e fitas de ação na linha de “Assassino a Preço Fixo”. O padrão de qualidade se vê nas sequências de ação, como o prólogo sem qualquer diálogo e a perseguição do clímax em uma estrada. O filme também marca a segunda de seis parcerias de Charles Bronson com o diretor Michael Winner. Bronson é Arthur Bishop, um “mecânico” (leia-se assassino de elite) contratado para um serviço onde deve executar seu patrão e amigo Big Harry (Keenan Wynn). Já que missão dada é missão cumprida, o sujeito é eliminado. Arrependido, Bishop acredita que pagará parte do seu pecado servindo de mentor para o único filho de Harry, o rebelde Steve McKenna (Jan-Michael Vincent). Infelizmente, o elo entre esses dois personagens representa o maior problema de “Assassino a Preço Fixo”, pois Jan-Michael Vincent é um péssimo ator e há situações envolvendo seu personagem simplesmente patéticas, como aquela onde assiste a tentativa de suicídio de Louise (Linda Ridgeway), sua ex-namorada.

Título Original: The Mechanic
Ano de Produção: 1972
Direção: Michael Winner
Roteiro: Lewis John Carlino
Elenco: Charles Bronson, Jan-Michael Vincent, Keenan Wynn, Jill Ireland, Linda Ridgeway e Frank DeKova
Cotação: 2 Stars

ASSASSINO A PREÇO FIXO – 2011

Esta refilmagem assinada por Simon West repete o erro de escolha do intérprete para viver o aprendiz de Arthur Bishop, também chamado Steve McKenna. Ben Foster nada faz além de reprisar todos os tiques vistos em “Alpha Dog” e jamais fica à altura de Jason Statham – por sua vez, melhor do que Charles Bronson em compreender a natureza moralmente ambígua de Bishop. Se há empate técnico no duelo entre os dois “Assassino a Preço Fixo”, ao menos a versão atualizada do argumento de Lewis John Carlino fez algumas modificações interessantes. Todos os alvos de Bishop são representados por vilões inusitados, seja o pastor cretino que se beneficia da fé alheia, seja o assassino profissional que dá em cima de Steve. Fica a dever diante do original em certa falta de ousadia, havendo uma cena final bem desnecessária que deixa claro o destino de Bishop.

Título Original: The Mechanic
Ano de Produção: 2011
Direção: Simon West
Roteiro: Lewis John Carlino e Richard Wenk
Elenco: Jason Statham, Ben Foster, Donald Sutherland, Tony Goldwyn, Jeff Chase, Mini Anden, Eddie J. Fernandez e Christa Campbell
Cotação: 2 Stars

Sabotagem Vs. O Agente Secreto

Filme Vs. Filme - Sabotagem Vs. O Agente Secreto
Alfred Hitchcock foi reconhecido como o grande Mestre do Suspense após a sua morte. E ele continua sendo exaltado pelos cinéfilos com este título. Com grandes filmes no curriculum, Hitchcock também é famoso pelas influências que causou em diretores como Brian De Palma e M. Night Shyamalan. Há muitos outros também que ao menos em uma oportunidade realizaram uma obra com muitas referências as mais famosas realizações do diretor nascido na Inglaterra, como Robert Zemeckis, Curtis Hanson, John Carpenter, Pedro Almódovar, entre outros. No entanto, a carreira de Hitchcock nem sempre foi feita de acertos, especialmente no que se diz respeito a sua fase britânica. “Sabotagem” (ou “O Marido Era O Culpado”, como é conhecido por muitas pessoas) é o melhor filme do diretor antes de sua fase americana, mas a narrativa recebeu melhoras em 1996 por Christopher Hampton com o seu “O Agente Secreto”. Conheça a razão e um pouco mais sobre ambos os títulos baseados em um romance de Joseph Conrad a seguir.

Sabotagem / O Marido Era o CulpadoSABOTAGEM / O MARIDO ERA O CULPADO

“O Marido Era o Culpado” foi o primeiro título recebido quando este filme com roteiro de Charles Bennett (que por sua vez adaptou o livro de Joseph Conrad) chegou no Brasil. Já a distribuidora Cine Art alterou para “Sabotagem” quando o lançou em DVD em uma coletânea que também vinha com “Agente Secreto” e “Assassinato”. Há também no mercado uma edição que trás somente “Sabotagem”. Na história o ator Oskar Homolka (que foi indicado ao Oscar por “A Vida de um Sonho”, de George Stevens) é Karl Anton Verloc, um proprietário de um cinema junto com a sua esposa Sylvia (Sylvia Sydney). Mas ele é também um integrante de um grupo de sabotadores prestes a explodir um local em Londres. Para não deixar seus rastros na execução do plano, Verloc usa o pequeno Stevie (Desmond Tester), irmão de Sylvia, para carregar consigo uma bomba para que seja deixada em um determinado local da cidade. Mas as coisas não acontecem como planejada e as consequências rendem uma das sequências mais suspicazes já concebidas em toda a carreira de Alfred Hitchcock, embora seja o melhor de poucos outros pontos fortes que o filme confere.

Título Original: Sabotage
Ano de Produção: 1936
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Oskar Homolka, Sylvia Sidney, Desmond Tester, John Loder e Joyce Barbour.
Cotação: 3 Stars

O Agente SecretoO AGENTE SECRETO

“O Agente Secreto” de Christopher Hampton está relacionado como uma nova versão do filme de Alfred Hitchcock, “Sabotagem”. Mas não se trata de uma refilmagem direta e sim uma adaptação atualizada do romance de Conrad. E isto diferencia esta produção de 1996, onde Hampton (mais conhecido como roteirista em filmes como “Desejo e Reparação” e “O Segredo de Mary Reilly”) oferece uma nova identidade a história. Ela é basicamente a mesma do filme de Hitchcock, com o diferencial de ter rumos distintos. O papel de Verloc agora cabe a Bob Hoskins, enquanto Patricia Arquette faz a sua frágil esposa. O irmão dela, Stevie, tem problemas mentais e aqui é incorporado por Christian Bale. Nesta versão praticamente tudo deu certo com grande sucesso, indo da tensão presente na trama, a reconstituição de época e o fabuloso papel que a música de Philip Glass exerce no suspense. Mas quem rouba a cena é Robin Williams. No papel do Professor, um criador de bombas, o ator está assustador!

Título Original: The Secret Agent
Ano de Produção: 1996
Direção: Christopher Hampton
Elenco: Bob Hoskins, Patricia Arquette, Gérard Depardieu, Jim Broadbent, Christian Bale, Roger Hammond, Eddie Izzard e Robin Williams.
Cotação: 4 Stars

Hairspray – E Éramos Todos Jovens Vs. Hairspray – Em Busca da Fama

Hairspray

E o Cine Resenhas não poderia se despedir do mês de junho sem a terceira edição do Filme Vs. Filmes, uma seção que aparecerá mensalmente por aqui. Mas se nos comentários anteriores o destaque foi para produções cujas refilmagens não atingiram a mesma qualidade da obra original, vamos mudar um pouco o quadro agora. Embora “Hairspray – E Éramos Todos Jovens” e “Hairspray – Em Busca da Fama” estejam relacionados com uma mesma cotação vale ressaltar que a refilmagem de Adam Shankman acaba levando a melhor na batalha com o filme de John Waters. Saiba o porquê a seguir.

Hairspray - E Éramos Todos Jovens

HAIRSPRAY – E ÉRAMOS TODOS JOVENS

Essa comédia de John Waters se passa no início da década de 1960 e o centro da ação é a atração televisiva “Corny Collins Show”. É para este programa que a garota Tracy Turnblad (Ricki Lake) tenta a todo custo participar para mostrar que é boa de dança. A história do próprio Waters, que evolui muito pouco, rendeu para si algum destaque comercial, pois foi o seu primeiro filme a chamar a atenção um pouco maior de público. E esse reconhecimento foi tamanho que até a Broadway fez uma montagem musical com base nesta produção. É um filme divertido, muito fiel ao espírito sessentista e que atinge bons momentos de humor, como o clímax com a bomba relógio dentro da peruca da Deborah Harry, que aqui faz a vilã Velma Von Tussle.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 1988
Direção: John Waters
Elenco: Ricki Lake, Divine, Jerry Stiller, Deborah Harry, Michael St. Gerard, Leslie Ann Powers, Mink Stole, Shawn Thompson, Alan J. Wendl, Joann Havrilla, Sonny Bono, Ruth Brown e Colleen Fitzpatrick.
Cotação: 3 Stars

Hairspray - Em Busca da FamaHAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA

Se não fosse o excesso de alguns números musicais (todos envolvendo o amor dos personagens de Nikki Blonsky e Zac Efron e aquela da passeata liderada por Queen Latifah são enjoativos) o remake “Hairspray – Em Busca da Fama” seria perfeito. O diretor Adam Shankman, que se mostrou eficiente no comando de “Um Amor Para Recordar” e “A Casa Caiu”, se inspirou bastante na história de John Waters (que aparece aqui em ponta relâmpago) e seguiu a tradição de trazer Edna Turnblad no corpo de um ator sob pesada maquiagem (John Travolta herda o papel que antes nos cinemas fora do travesti Divine), mas foi mais feliz em trazer para a sua realização as letras musicais da montagem na Broadway. O elenco é perfeito e o desfecho, com quase todos os personagens cantando “You Can’t Stop the Beat”, é um dos mais irresistíveis da década.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 2007
Direção: Adam Shankman
Elenco: Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Queen Latifah, Zac Efron, Brittany Snow, Elijah Kelley e Allison Janney.
Cotação: 3 Stars

Primavera Para Hitler Vs. Os Produtores

Filme Vs. Filme
O Cine Resenhas não poderia passar os últimos dias deste mês de maio sem publicar um novo embate entre duas obras cinematográficas. Em abril os longas selecionados foram “Nikita – Criada Para Matar” e “A Assassina”. A versão original de Luc Besson e a refilmagem comandada por John Badham provavelmente não foi muito assistida entre os visitantes. Mas, desta vez, os longas são bem populares e se trata novamente uma obra original e a sua refilmagem. O primeiro filme é “Primavera Para Hitler”, comédia de Mel Brooks vencedora do Oscar de melhor roteiro original. Quem vai combatê-lo nesta edição é “Os Produtores”, o remake que recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro que também usa a adaptação musical para a Broadway como base.

DVD - Primavera Para HitlerPRIMAVERA PARA HITLER

Mel Brooks, que um dia já foi considerado um dos grandes diretores americanos de filmes cômicos, estreiou nos cinemas com “Primavera Para Hitler”. Não é tão hilariante e brilhante quanto “Alta Ansiedade” ou “O Jovem Frankenstein”, mas em matéria de clássicos do gênero o filme tem um lugar reservado. A história todo mundo sabe, inclusive aqueles que ainda não assistiram o longa. É sobre um produtor teatral, Max Bialystock (Zero Mostel), que consegue financiamento para as suas peças realizando desejos de velhas endinheiradas. Ao conhecer o contador Leo Bloom (Gene Wilder) armam um golpe que os deixarão podres de rico: produzir uma peça horrenda e lucrar com o seu fracasso, pois com poucas apresentações ficam restando um alto valor do investimento dos patrocinadores. E daí nasce o musical teatral “Primavera Para Hitler”. A sequência de testes com vários candidatos a Hitler é antológica.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 1968
Direção: Mel Brooks
Elenco: Zero Mostel, Gene Wilder, Lee Meredith, Dick Shawn, Kenneth Mars e Christopher Hewett.
Cotação: 3 Stars

DVD - Os ProdutoresOS PRODUTORES

A imprensa, especialmente a nacional, até tentou levantar os ânimos do público para assistirem “Os Produtores”, afirmando que “Primavera Para Hitler” não passava de uma comédia datada e que esta mais recente versão era superior em vários aspectos. Mas se o filme de Mel Brooks não era exatamente brilhante, a refilmagem de Susan Stroman (que nunca mais realizou um filme após o fracasso comercial de sua obra) consegue ser pavorosa. A história é a mesma, mas com uma modificação gritante, sendo os diálogos cantados. A idéia de tornar não só a encenação teatral dentro do filme um musical foi retirada da adaptação para a Broadway, um sucesso produzido por Brooks e Thomas Meehan. Nathan Lane e Matthew Broderick repetem os seus papéis dos palcos, protagonizando um filme que não confere sequer uma cena cantada memorável. É sem graça, extremamente sonolento. Mas se os personagens de Lane e Broderick no fim nas contas não conseguem tornar a peça um fracasso a de se louvar o feito de Susan Stroman, que entrega o pior musical de toda a história do cinema, talvez perdendo somente para “Mamma Mia!”.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 2005
Direção: Susan Stroman
Elenco: Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Ferrell, Roger Bart, Andrea Martin e Jon Lovitz.
Cotação: 1 Star

Nikita – Criada Para Matar Vs. A Assassina

filme-vs-filme1
Esse mês de abril aqui no blog tem sido repleto de resenhas. As dez últimas postagens comprovam isso. Mas como estava elaborando novas idéias assim que o Cine Resenhas completou os seus dois anos de vida, hoje chega um quadro que pretendo apresentar mensalmente, mas sem uma data estabelecida. A idéia não é original, pois já a vi em outros endereços da Internet. É uma espécia de confronto que vou arquitetar entre dois longas com algo muito grande em comum. Na primeira edição é uma batalha entre uma obra francesa original e a sua rápida atualização americana. A intenção é somente montar uma pequena impressão de ambas as fitas e deixar para vocês selecionarem qual é o melhor através dos comentários. Então vamos lá.

nikitaNIKITA – CRIADA PARA MATAR

Embora já tenha adquirido grande prestígio através de “Imensidão Azul”, Luc Besson só veio chamar a atenção na tarefa de fazer cinema de ação com este “Nikita – Criada Para Matar”, o quarto longa-metragem de sua carreira. E ao contrário da enxurrada de roteiros pouco inspirados que pari atualmente, ele fez de Nikita uma personagem notável dentro de uma narrativa exemplar. Ela, interpretada pela linda Anne Parillaud, é uma jovem delinquente que tem a oportunidade de recomeçar a vida quando capturada pela polícia. Dá que a jovem aperfeiçoa as suas técnicas, aprende etiqueta e se transforma em uma mulher com uma aparência de cair o queixo. Só que ao engatar um namoro com o caixa de um mercado quando ganha liberdade é submetida a várias missões de espionagem, pois este foi um acordo que manteve com o Serviço de Inteligência que a treinou. O resultado é um filme com sequências de ação invejáveis pela tensão e talento que Besson imprime a cada uma delas e que enriquece ainda mais pelo cuidado ao qual a personagem central é desenvolvida.
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a-assassinaA ASSASSINA

Antes do “Psicose” de Gus Van Sant os americanos já eram sacanas na hora de comprar os direitos de um longa e refilmá-lo. A versão atualizada de John Badham é uma cópia carbono para lá de descarada. E olha que o intervalo entre o seu filme e o de Besson é de três anos. Mas Hollywood precisava de mulheres que fossem tão boas de mira quanto o detetive John McClane ou John Rambo. Mas o tiro saiu pela culatra. Ainda assim, “A Assassina” vence na prova dos obstáculos cinematográficos. Bridget Fonda, que é linda e que segura uma arma tão bem quanto Anne Parillaud, é a Nikita americana. A sua personagem passa pelas mesmas situações vistas no filme de Besson e cruza pelas mesmas pessoas. Até o Victor, O Faxineiro (um personagem antológico) dá o ar da graça. Mas ao contrário do desfecho pessimista do longa de 1990, a nossa “assassina” é presenteada com um merecido e tipicamente final hollywoodiano. Mas não vamos ser ranzinzas, pois qualquer ser que seja fã de Nina Simone merece uma chance.

Título Original: Nikita
Ano de Produção: 1990
Direção: Luc Besson
Elenco: Anne Parillaud, Tchéky Karyo, Marc Duret, Patrick Fontana, Alain Lathière e Jean Reno.
Cotação: 4 Stars

Título Original: Point of No Return
Ano de Produção: 1993
Direção: John Badham
Elenco: Bridget Fonda, Gabriel Byrne, Dermot Mulroney, Anne Bancroft, Michael Rapaport e Harvey Keitel.
Cotação: 3 Stars