Resenha Crítica | Los Territorios + The Beast (2016/2017)

Los territorios, de Iván Granovsky
The Beast, de Michael Wahrmann e Samantha Nell

Vida Fácil” e “Daphne” são apenas dois dos títulos mais recentes a serem avaliados que tratam sobre a agora popular crise dos 30 anos, em que jovens adultos encontram dificuldades de se estabelecerem na vida em uma sociedade que cobra deles um mínimo de estabilidade, sendo ela profissional e privada. Muitos inevitavelmente identificarão essa abordagem em “Los territorios”, mas ela surge aqui com o tapa da veracidade: o registro é documental, não ficcional.

Iván Granovsky era um recém-trintão quando concluiu o documentário. O sobrenome famoso entrega: ele é filho de Martín Granovsky, influente jornalista argentino que, por sua vez, é também uma cria de um profissional da comunicação. A questão é que Iván não deseja seguir o mesmo rumo dos homens da família, nutrindo desde a juventude o sonho em ser um diretor de cinema.

Após alguns projetos como produtor e sucessivos fracassos na tentativa de se converter em cineasta, Iván iniciou uma peregrinação por países para traçar um mapeamento geopolítico, motivado a princípio pelo atentado terrorista contra a redação do jornal francês Charlie Hebdo. Porém, é evidente a sua falta de tesão para se desdobrar como jornalista, inclusive quando esteve no Brasil para entrevistar o ex-presidente Lula pré-impeachiment de Dilma Rousseff.

Em uma jornada por vezes sem rumo, o diretor vai expondo as mensagens trocadas (algumas forjadas) com os seus pais, que vão assumindo um tom mais sério conforme recebem faturas injustificáveis dos cartões de créditos deixados em suas mãos. Trata-se da exposição de um homem que autoriza que seja classificado como “fútil” na sinopse oficial de sua obra e o modo como permite se expor é extremamente negativo.

Essa leitura quase unânime se dá porque Iván não demonstra qualquer senso de sarcasmo. Enfurece a audiência porque não defende a figura de um sujeito oprimido pelo azar, pelas cobranças para ser alguém que não deseja ou até mesmo por executar tarefas em que não encontra um sentido, mas sim a de aborrecido e desinteressado em estabelecer algum vínculo com o espectador que o observa a esmo e que nada extrai dos contextos que transita.

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Possivelmente prevendo a dificuldade de vender algo tão enfadonho, a Vitrine Filmes repete uma estratégia ocorrida no início do ano, quando integrou um curta-metragem antes da projeção de “Paulistas“, também um documentário. Aqui, o satírico “The Beast” é exibido antes de “Los territorios” – a principal conexão é o crédito de Michael Wahrmann, codiretor do primeiro e produtor do segundo, mas há também a exploração de um olhar estrangeiro.

O diferencial é que as intenções aqui são mais bem resolvidas, mostrando uma comunidade de uma vila africana interagindo com turistas esnobes e encenando Shakespeare como um modo de protesto. O monólogo de Shylock em “O Mercador de Veneza”, em 2004 entoado por Al Pacino na adaptação homônima para cinema, segue impactante.

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Lançamento em streaming de “Los territorios”:
Disponível a partir do dia 26 de julho
iTunes: R$ 19,90 (venda) | R$ 11,90 (aluguel)
Google Play: R$ 29,90 (venda) | R$ 9,90 (aluguel)
Now: R$ 14,90 (aluguel)
Vivo Play: R$ 11,90 (aluguel)

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