Resenha Crítica | A Casa Dividida (2018)

Wobble Palace, de Eugene Kotlyarenko

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O século XXI definitivamente abalou as estruturas de uma cartilha que apontava como devem ser ditados os relacionamentos. Os dispositivos eletrônicos, como computadores e smartphones, são agora os instrumentos essenciais para o cotidiano e as redes sociais agora nos fazem sustentar uma versão virtual de nós mesmos e, consequentemente, como interagimos uns com os outros.

Há muitos filmes indies que agem como reflexo direto desse novo mundo que habitamos, mas “A Casa Dividida” é um dos mais autênticos por respeitar a perspectiva de um homem e uma mulher inseridos em um relacionamento desastroso e aqui representados em pé de igualdade. Cortesia de seu diretor e ator Eugene Kotlyarenko, que permitiu que a sua coprotagonista Dasha Nekrasova também interferisse no desenvolvimento da história.

Em seu quinto longa-metragem (e o primeiro a receber exibição no Brasil), Kotlyarenko compartilha a situação complicada de um casal com diferenças irreconciliáveis. Batiza o protagonista que incorpora com o seu próprio nome, Eugene, um sujeito sem um emprego fixo que estabeleceu com Jane (papel de Nekrasova) uma escala para dividirem a casa que ainda habitam juntos.

Por metade do dia, Eugene está livre para fazer o que quiser. Na outra, deve se retirar e deixar a área livre para Jane. Como se espera, ambos aplacam a solidão e a frustração de um caso amoroso fracassado convocando amantes para transar. Eugene geralmente usa o Tinder, enquanto Jane convoca nomes perdidos na sua agenda telefônica ou dá uma atenção especial para algum desconhecido com quem tromba na rua ou em festas.

Com atos reservados integralmente para Eugene e Jane e um encaminhamento para o final que pretende compreender o que deu errado entre os dois, “A Casa Dividida” logo diagnostica uma geração que posa de moderna inclusive em sua vaidade (o penteado dele para esconder a calvície prematura, as axilas não depiladas dela para contestar um padrão feminino) e nos seus vínculos amorosos (o tal relacionamento aberto) somente para ilustrar uma juventude mais perdida do que nunca e incapaz de assumir mudanças radicais. Tudo conduzido com um bom humor às vezes desconcertante em sua precisão em captar comportamentos críveis.

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